Quero estrear aqui na Pólen falando sobre dois assuntos polêmicos em alta: mulheres e publicações independentes. Mais especificamente sobre o ápice da polêmica: mulheres que se autopublicam. É muita independência!

Nos últimos tempos o crescimento da autopublicação e dos e-books foi o que mais gerou debates sobre o possível fim do livro como nós o conhecemos e todo aquele receio que surge quando algo novo aparece. Acontece que quem diz que as editoras vão deixar de existir porque tem gente se publicando sem a ajuda delas ou que os livros físicos vão acabar porque agora existem na internet só pode ter uma visão extremamente limitada.

Os hábitos de leitura estão mudando mesmo — a maioria de nós não tem mais o costume de ler textos longos e muitas vezes fecha a janela quando percebe que vai demorar mais de dez minutos nela. Mas isso não significa o fim do livro, e sim uma nova forma de se relacionar com a literatura, que vai além do suporte físico.

Onde entram as mulheres nessa história? Vocês devem ter ouvido falar dos movimentos #leiamulheres e #KDmulheres, que questionam a valorização dos livros escritos por mulheres e a presença de figuras femininas em palestras e debates sobre literatura. O cenário literário já é intimidador para qualquer autor independente com todas as limitações e a insegurança de mandar seu texto para avaliação. Sendo mulher, você precisa encarar todos esses desafios somados à desvalorização imediata do seu trabalho apenas por causa do seu gênero.

Nesse sentido, a internet está sendo o melhor veículo para dar voz às escritoras, que antes escondiam seus cadernos  nas gavetas ou enviavam originais para as editoras que jamais seriam lidos. As redes sociais transformaram a veiculação da arte, seja em texto ou imagem, além de estimularem o empoderamento e a afirmação de protagonismo das mulheres. Se engana quem pensa que essas escritoras estão falando apenas sobre feminismo: são artistas que encontraram na internet uma possibilidade de publicar textos sobre aquilo que sabem e gostam, para quem quiser ler.

A cada dia eu conheço autoras, ilustradoras, projetos, ou iniciativas diferentes. Todos maravilhosos e que valem a pena ser acompanhados. Então vou listar alguns deles para vocês também seguirem, curtirem, comprarem os livros, doarem um dinheirinho ou simplesmente ficarem sabendo que existem.

Agridulce

Quando conheci essa página morri de amores, e não é a toa que suas curtidas têm aumentado exponencialmente. Os desenhos da Báia são sobre empoderamento, preconceito, depressão… Este mês ela está fazendo o especial “Setembro Amarelo”, uma campanha para a conscientização sobre o suicídio. Um projeto paralelo, que acaba de ganhar a própria página, é o “Conte a sua dor”, na qual ela posta trechos ilustrados de relatos sobre opressão e abuso que recebe de seguidoras. Dá uma olhada: https://www.facebook.com/baiaagridulce.

 

carol

Ana Laura Nahas

Quase um segundo (Editora Cousa) é daqueles livros para levar no ônibus, para ler na tarde sábado, para se envolver em cada crônica, porque você com certeza vai se identificar com os sentimentos e as situações representados nele. (Além disso, o título é o mesmo de uma das minhas músicas preferidas do Cazuza!). A autora compartilha alguns dos textos do livro em sua página:https://www.facebook.com/ana.l.nahas

Aline Valek

É autora dos livros Pequenas tiranias e Hipersonia crônica e ilustradora de As lendas de Dandara, de Jarid Arraes, além de ter trabalhado em outros projetos. Aline é conhecida por sua newsletter semanal, a “Bobagens imperdíveis”, na qual compartilha muito feminismo e informação em textos literários, reportagens, resenhas e o que mais achar interessante. Seu site é um paraíso de conteúdos interessantes, além de ter um layout maravilhoso, então se perca lá: http://www.alinevalek.com.br.

Carol Rossetti

O projeto “Mulheres” fez tanto sucesso nas redes sociais que agora virou livro. O objetivo dele é quebrar tabus, representar o maior número possível de mulheres e mostrar o que deveria ser óbvio: que todas merecem respeito, dignidade e seus direitos assegurados. Dá uma olhada no site para conhecer os projetos e a lojinha da artista, que tem várias coisas lindas: http://www.carolrossetti.com.br.

Jarid Arraes

Martha Lopes

Em carne viva é o primeiro livro da autora, e também a primeira publicação da Editora Kayá, que nasceu na Casa de Lua. A obra é a reunião de 28 poemas que traduzem a autora, seu cotidiano e sua feminilidade. Vale a pena conhecer mais sobre a editora, que está no início mas chega com projetos bem legais para acompanhar e torcer para dar certo: http://www.kayaeditora.com.br.

Essas são algumas das muitas mulheres que estão usando as redes sociais para expressar seus posicionamentos e sentimentos. Conhece uma artista que vale a pena acompanhar? Compartilha aqui nos comentários! Vamos trocar dicas e prestigiar o trabalho dessas mulheres todas!

Publicado en Revista Forum