Brasil: 60 años de Lyra

A bossa nova é feita de canções e histórias. Membro da primeira turma dos bossanovistas, frequentador dos encontros na casa de Nara Leão, testemunha e ator do movimento, Carlos Lyra recorda canções e histórias no show “Eu & a bossa”, no Teatro Glauce Rocha, às 19h.

A apresentação, montada em celebração aos 60 anos de carreira do compositor em meio à programação da Olimpíada, deve fazer um passeio pelo gênero — mas guiado pela plateia que Lyra encontrar.

— Não tenho ideia de que público vai ver o show. Vou perguntar quem fala inglês, francês, espanhol, e de acordo com a plateia vou escolher o repertório — explica o compositor.

Essa “enquete” que pretende fazer, conta ele, servirá para moldar a lista de músicas — mais ou menos faladas ou tocadas — e encaixá­las no contexto histórico da bossa nova.

— Se a plateia for totalmente estrangeira, vou explicar em inglês e em espanhol o que é a bossa nova. E vou mostrar a bossa nova através das minhas músicas, das coisas novas até as mais antigas — afirma Lyra, que teve entre seus parceiros Vinicius de Moraes e coleciona histórias com figuras como Brigitte Bardot, Jacqueline Kennedy e Gianfrancesco Guarnieri.

No palco, o compositor e cantor terá a companhia de Fernando Merlino (piano), Adriano Giffoni (baixo), Dirceu Leite (sax, flauta e clarinete) e Ricardo Costa (bateria), músicos que tocam com ele há 20 anos.

Marcos Lacerda, diretor do Centro de Música da Funarte (responsável pela administração do Teatro Glauce Rocha), explica que o show é parte de uma programação voltada para a bossa nova: — A ideia é termos as quintas­feiras dedicadas à bossa.

Tivemos Leny Andrade, vamos ter Leila Pinheiro com Roberto Menescal… O Rio, apesar de ter sido o lugar onde o gênero nasceu, não tem um espaço para shows de bossa nova. E, como é o gênero brasileiro com mais força internacional, não poderíamos abrir mão dela em nossa programação no período olímpico.

Período, aliás, que Lyra não anda acompanhando. O músico diz não saber como andam os Jogos nem a cidade:

— Não vejo, detesto competição. E só saio de casa para trabalhar.

Publicado en O Globo

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