Artistas e intelectuales brasileros se manifiestan contra Bolsonaro

Artistas e intelectuales brasileros se manifiestan contra Bolsonaro

Un numeroso grupo de músicos, novelistas y pintores brasileños firmaron esta semana un manifiesto en el que rechazan la candidatura del exmilitar por ser “peligrosa para la democracia”. Entre los firmantes están figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil y Chico Buarque.

Jair Bolsonaro (izq), candidato a la presidencia de Brasil, ha sido cuestionado por figuras como Gilberto Gil, Caetano Veloso y Chico Buarque.AFP / Flickr / Wikimedia

Algunos de los más famosos músicos, escritores e intelectuales de Brasil alertaron hoy, a través de un manifiesto, que la democracia de su país «podría girar hacia el autoritarismo” si el candidato de derecha Jair Bolsonaro sale victorioso de las elecciones presidenciales de su país, que se celebrarán el próximo 7 de octubre.

“Es preciso decir, más que una elección política, la candidatura de Jair Bolsonaro representa una amenaza franca a nuestro patrimonio civilizatorio primordial”, dice la carta, firmada por más de 150 personalidades brasileñas, entre las que destacan figuras de la música como Caetano Veloso, Gilberto Gil y Chico Buarque, un trío de compositores que vivieron en el exilio durante los veintiún años de la dictadura brasileña (1964-1985).

«Nunca es demasiado tarde para recordar cómo a lo largo de la historia y hasta hoy los líderes nazis fascistas y muchos otros regímenes autocráticos fueron elegidos por primera vez con la promesa de rescatar la autoestima y la credibilidad de sus naciones, antes de someterlos a los más variados excesos autoritarios. «, dice el manifiesto “Democracia sim” (Sí a la democracia).

El mensaje de los artistas brasileños llega a solo dos semanas de que se realicen los comicios en Brasil, en los que Bolsonaro, un antiguo militar con tendencias populistas, lidera las encuestas con un 28% de intención de voto. Los partidarios del candidato de derechas, muchos de los cuales provienen de la clase media y alta de Brasil, lo ven como un antídoto contra la corrupción y la violencia que creen que es el resultado de 13 años de gobierno izquierdista del Partido de los Trabajadores.

Sin embargo, la posibilidad de que el derechista se haga con la presidencia ha aumentado en las últimas semanas tras el atentado que sufrió durante uno de sus eventos electorales el pasado 6 de septiembre, el cual le ha hecho repuntar en los diferentes sondeos, según últimos reportes de medios como O Globo o la revista Veja.

“Nos encontramos con proyectos que niegan la existencia de un pasado autoritario en Brasil, que apoyan explícitamente conceptos como la proclamación de nueva Constitución sin apoyo popular, autogolpes presidenciales y declaraciones francamente xenofóbicas y discriminatorias contra sectores diversos de la sociedad”, advierten los 150 del manifiesto, que consideran que una victoria de Bolsonaro sería el regreso del autoritarismo que gobernó a Brasil durante la dictadura (1964-1985).

Los firmantes se autodenominaron una “mezcla política con un compromiso común”: Brasil libre, tolerante, inclusivo y democrático. En el grupo se enucentran figuras como el rapero Mano Brown del grupo Racionais MC’s, el actor Camila Pitanga, el director Fernando Meirelles, el novelista Milton Hatoum y el escritor Luiz Ruffato, entre otros.

Esta declaración, que según los organizadores ha atraído más de 180,000 firmas desde su publicación el lunes, es la último de una serie de protestas contra el candidato Bolsonaro, a solo semanas de las elecciones más impredecibles en Brasil desde el retorno de la democracia en el país.

El Espectador


Personalidades lançam abaixo-assinado pela democracia e contra Bolsonaro

Um grupo de personalidade, de diferentes posições políticas, lançou o abaixo-assinado Democracia Sim. O manifesto, que até a noite deste do domingo 23 reunia 333 nomes, conta com o endosso principalmente de artistas e intelectuais com trajetórias pessoais e públicas variadas e está aberto para colher a assinatura de cidadãos que se identifiquem com o que eles defendem.

O texto lembra que o Brasil enfrenta desafios e que o desgaste da classe política disseminou um sentimento de descrença. «Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial», afirma.

O manifesto afirma também que as assinaturas unem brasileiros que votam em pessoas e partidos diversos, que defendem causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos.
«Mas temos em comum o compromisso com a democracia. Com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação.»

Em comum, os signatários repudiam a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). «É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.»

As 333 assinaturas reúnem artistas como Alessandra Negrini, Leandra Leal e Tulipa Ruiz, que já se manifestaram aliadas às candidaturas à esquerda, sem dar nomes, e Patrícia Pillar, que publicamente vota em Ciro Gomes. O casal Caetano Veloso e Paula Lavigne, também apoiadores públicos de Ciro, estão na lista.

A lista conta ainda com o economista Bernard Appy, que foi do governo Lula e desenhou uma proposta de reforma tributária endossada por diversos presidenciáveis, e com o advogado Miguel Reale Jr, historicamente ligado ao PSDB. Outros tucanos aderiram, entre eles Andrea Calabi e Celso Lafer, que foram ministros de Fernando Henrique Cardoso, e Claudia Costin.

O médico Drauzio Varella, a historiadora Lilia Schwarcz, o empresário Guilherme Leal, antigo apoiador de Marina Silva, a socióloga Esther Solano, o ator Wagner Moura, o comentarista esportivo Walter Casagrande Jr, o jornalista Juca Kfouri, o cineasta Walter Salles e Danilo Santos de Miranda, presidente do Sesc em São Paulo, são outros nomes que assinam o manifesto.

No fim, o texto afirma que é a democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. «Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós… Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser.»

Confira a íntegra do manifesto:

Pela Democracia, pelo Brasil

Somos diferentes. Temos trajetórias pessoais e públicas variadas. Votamos em pessoas e partidos diversos. Defendemos causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos.

Mas temos em comum o compromisso com a democracia. Com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação.

Como todos os brasileiros e brasileiras sabemos da profundidade dos desafios que nos convocam nesse momento. Mais além deles, do imperativo de superar o colapso do nosso sistema político, que está na raiz das crises múltiplas que vivemos nos últimos anos e que nos trazem ao presente de frustração e descrença.

Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial.

Podemos divergir intensamente sobre os rumos das políticas econômicas, sociais ou ambientais, a qualidade deste ou daquele ator político, o acerto do nosso sistema legal nos mais variados temas e dos processos e decisões judiciais para sua aplicação. Nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público.

Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático.

Conhecemos amplamente os resultados de processos históricos assim. Tivemos em Jânio e Collor outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política, para nos levar ao desastre. Conhecemos 20 anos de sombras sob a ditadura, iniciados com o respaldo de não poucos atores na sociedade. Testemunhamos os ecos de experiências autoritárias pelo mundo, deflagradas pela expectativa de responder a crises ou superar impasses políticos, afundando seus países no isolamento, na violência e na ruína econômica. Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários.

Em momento de crise, é preciso ter a clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos.

Esta clareza nos move a esta manifestação conjunta, nesse momento do país. Para além de todas as diferenças, estivemos juntos na construção democrática no Brasil. E é preciso saber defendê-la assim agora.

É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.

Prezamos a democracia. A democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós. Não são, certamente, poucos os desafios para avançar por dentro dela, mas sabemos ser sempre o único e mais promissor caminho, sem ovos de serpente ou ilusões armadas.

Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser.

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