Terrenal en São Paulo

Foto: Leekyung Kim

Baseado na história bíblica de Caim e Abel, dois irmãos que vivem às brigas competindo tanto pela atenção do “pai” quanto pela propriedade, é o argumento de Terrenal – Pequeno Mistério Ácrata do dramaturgo argentino Mauricio Kartun, estreou em 22 de novembro, no teatro do Sesc Santo Amaro e fica em cartaz até 16 de dezembro. A direção é de Marco Antonio Rodrigues, com tradução de Cecília Boal e um elenco composto por Celso Frateschi, Danilo Grangheia, Fernando Eiras e Demian Pinto, que faz a trilha ao vivo no espetáculo.

La imagen puede contener: 5 personasPor meio de uma linguagem cênica que prioriza a comicidade, a tragicomédia e a metateatralidade, Terrenal poetiza sobre a história de ódio entre dois irmãos, e aponta, em um pano de fundo, conflitos sociais. O texto bíblico do livro de Gênesis narra o que é considerado o primeiro assassinato do mundo, mas Kartun aproveita este mito e vai além – usa esta potência do conflito para falar de assuntos contemporâneos que envolvem justiça, riquezas e visão de mundo. Aliás, com muito merecimento, a questão tem aparecido em outras searas artísticas, como o emblemático livro “Caim”, de José Saramago, da Companhia das Letras, que nas palavras de Juan Arias, jornalista e escritor, “(…) é também um grito contra todos os deuses falsos e ditadores criados para amordaçar o homem, impedindo-o de viver, em total liberdade, sua vida e seu destino”.

Na montagem dirigida por Marco Antonio Rodrigues, os atores são artistas populares que encenam um espetáculo sobre Caim e Abel. Com recursos circenses, essa metateatralidade aponta para metáforas contemporâneas de nossa sociedade, como um Caim (interpretado por Eiras na versão brasileira) fixado em sua terra, acumulador de bens e moral. Já Abel (Grangheia) é o nômade, sem muitas ambições além de ‘pastorear’ suas minhocas, é o paradoxo do irmão. Tata (Frateschi) é o pai de ambos, dual, carrega em si o caráter libertário e opressor, é aquele que os abandonou por 20 anos, mas também é aquele que volta e festeja.

O texto original é de Mauricio Kartun – considerado um dos mais importantes dramaturgos da Argentina e uma referência no teatro latino-americano. Com mais de quatro décadas de carreira, desde sua estreia, com Civilización… ¿o barbarie? (1973), o artista tem realizado trabalhos marcados pelo compromisso com a atualidade política de seu país, além de um texto que flerta com a mitologia clássica. Terrenal foi traduzido para o português por Cecília Boal, viúva de Augusto Boal, principal liderança do Teatro de Arena (SP) na década de 1960, criador do teatro do oprimido, metodologia internacionalmente conhecida que alia teatro e ação social.

Foto: Leekyung Kim

Desde a sua estreia em terras portenhas em 2014, Terrenal tem se mostrado um fenômeno da cena teatral independente da argentina. São mais de 65 mil espectadores e dezenas de premiações, como os argentinos Prêmio de Crítica da Feira do Livro, pelo texto, e o Prêmio da Associação de Cronistas de Espetáculos (melhor obra). O Instituto Augusto Boal é o idealizador e a Associação Cultural Corpo Rastreado e a DCARTE são coprodutoras do espetáculo.

Conflitos em cena

O enredo desta tragicomédia parte da história de dois irmãos que habitam o mesmo terreno, comprado pelo pai. A princípio considerado um ‘paraíso’, o pedaço de terra está situado em uma conurbação urbana. A história se passa em um domingo (dia santo), que marca também vinte anos de sumiço de Tata, o pai, que os abandonou ainda pequenos. O dia começa com os irmãos em conflito: Caim cumpre o mandamento de descansar, enquanto Abel só trabalha justamente aos domingos, vendendo iscas, besouros e minhocas para os vizinhos irem à pesca.

Caim produz pimentões, dedica-se à produção e ao comércio e usa isso como motivo de orgulho para tripudiar sobre o irmão – ele é aquele que em um futuro próximo erguerá cidades cheia de muros para defender o patrimônio. Abel não tem apego à terra, é um nômade sonhador, cultiva o ócio e usufrui das delícias da vida.

Primeiras leituras

As ações deste projeto foram iniciadas em maio de 2016 com a leitura de Terrenal, um estudo em torno da tradução. Marco Antonio também dirigiu (em projeto idealizado pelo Instituto Augusto Boal) outra peça, de cunho político-social, de Mauricio KartunAla de Criados – em setembro de 2017.

Quase dois anos depois, foi realizada no Ágora Teatro, uma leitura pública do texto Terrenal, já com Celso Frateschi, Danilo Grangheia e Fernando Eiras.

Trocas e somas

La imagen puede contener: 3 personas, personas sonriendo, personas de pie, sombrero y barbaMuitos confiam na força do intercâmbio das obras entre os países latino-americanos para a recriação de um campo reflexivo sobre em quais cenários as fronteiras realmente estabelecem muros divisores e em quais são meros traços imaginários. Sendo assim, Terrenal nasce do desejo de contribuir para uma efetiva identificação do Brasil como parte da terra latino-americana, já que os brasileiros, na maioria dos casos, não apresentam uma identidade cultural comum com o resto do continente.

Kartun desenvolve textos que promovem, com latinidade fantástica, debates sociais dos mais intensos. Reconhecido em toda a América Latina como artista singular e exponencial, lançou mais de trinta obras teatrais encenadas em diferentes países, dentre elas El niño argentino, Chau Misterix, El partener e La casita de los viejos. Entre premiações e menções de honra na carreira ele conta com mais de quarenta citações. Com Terrenal – Pequeno Mistério Ácrata, Kartun permanece em cartaz com casas lotadas há mais de cinco anos na cidade de Buenos Aires (Argentina), cumprindo temporadas de sucesso também na Espanha, Chile e Porto Rico.

O dramaturgo fez parte do grupo teatral argentino El Machete, que encenou em 1973 na extinta Sala Planeta em Buenos Aires a peça Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay! adaptação de Revolução na América do Sul, de Augusto Boal.

Sinopse

Em um fracassado loteamento, Caim e seu irmão Abel desenvolvem uma versão conturbada do mito bíblico: a dialética história entre o sedentário e o nômade. Entre um Caim dono de um sítio, produtor de pimentões reputados e um Abel vagabundo, que fora de toda cadeia de produção sobrevive vendendo isca viva aos pescadores da região. Dois irmãos sempre em peleja que compartilham um mesmo terreno baldio dividido e que jamais poderão construir uma morada comum.

Ficha Técnica
Texto: Mauricio Kartun; Tradução: Cecília Boal; Direção: Marco Antonio Rodrigues; Elenco: Celso Frateschi, Danilo Grangheia, Fernando Eiras e Demian Pinto; Direção musical: Demian Pinto; Design de luz e operação: Túlio Pezzoni; Cenário, figurinos e adereços: Sylvia Moreira; Fotografias: Leekyung Kim; Idealização: Instituto Boal
Horário: Quinta a sábado, 21h. Domingos, 18h. Local: Teatro Sesc Santo Amaro, Rua Amador Bueno, 505. Duração: 100 min. Ingressos: R$ 20,00 (inteira). R$ 10,00 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública). R$ 6,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciados no Sesc e dependentes).


Basado en la historia bíblica de Caín y Abel, dos hermanos que viven a las peleas compitiendo tanto por la atención del “padre” como por la propiedad, Terrenal – Pequeño Misterio Ácrata, del dramaturgo argentino Mauricio Kartun, se estrenó el 22 de noviembre en el teatro del Sesc Santo Amaro. La obra permanecerá en cartel hasta el 16 de diciembre. La dirección es de Marco Antonio Rodrigues, cuenta con traducción de Cecilia Boal y un elenco compuesto por Celso Frateschi, Danilo Grangheia, Fernando Eiras y Demian Pinto.

Por medio de un lenguaje escénico que prioriza la comicidad, la tragicomedia y la metateatralidad, Terrenal poetiza sobre la historia de odio entre dos hermanos, y apunta, como telón de fondo, a ciertos conflictos sociales. El texto bíblico del libro de Génesis narra lo que es considerado el primer asesinato del mundo, pero Kartun aprovecha este mito y va más allá, utilizando esta potencia del conflicto para hablar de asuntos contemporáneos que involucran justicia, riquezas y visión de mundo. La cuestión ha aparecido en otras destacadas obras, como la emblemática novela “Caín”, de José Saramago, que en palabras de Juan Arias, periodista y escritor, “es también un grito contra todos los dioses falsos y dictadores creados para amordazar al hombre, impidiéndole vivir, en total libertad, vida y su destino “.

En esta puesta, dirigida por Marco Antonio Rodrigues, los actores son artistas populares que escenifican un espectáculo sobre Caín y Abel. Con recursos circenses y una meta teatralidad que apunta a metáforas contemporáneas de nuestra sociedad, Caín (interpretado por Eiras en la versión brasileña) se ha apropiado de la tierra, es acumulador de bienes y fija la moral. Abel (Grangheia) es el nómada, sin muchas ambiciones más allá de criar sus lombrices, siendo la paradoja del hermano. Tata (Frateschi) es el padre de ambos, dual, lleva en sí el carácter libertario y opresor, aquel que los abandonó por 20 años. Sin embargo también es aquel que vuelve y festeja con ellos por el retorno.

El texto original es de Mauricio Kartun – considerado uno de los más importantes dramaturgos de Argentina y una referencia en el teatro latinoamericano. Con más de cuatro décadas de carrera, desde su estreno, con Civilización … ¿o barbarie? (1973), el artista ha escrito obras marcadas por el compromiso con la actualidad política de su país. Terrenal fue traducido al portugués por Cecilia Boal, viuda de Augusto Boal, director  principal del Teatro Arena (SP) en la década de 1960, creador del Teatro del Oprimido, metodología conocida internacionalmente que combina teatro y la acción social.

Desde su estreno en tierras porteñas en 2014, Terrenal se ha mostrado un fenómeno de la escena teatral independiente de la Argentina. En estos años ha tenido más de 65 mil espectadores y recibido decenas de premios, como los argentinos Premio de Crítica de la Feria del Libro, por el texto, y el Premio de la Asociación de Cronistas de Espectáculos, como mejor obra. El Instituto Augusto Boal impulsó la presentación de la obra y la Asociación Cultural Cuerpo Rastreado y la DCARTE son coproductores del espectáculo.

Conflictos en escena

La trama de esta tragicomedia parte de la historia de dos hermanos que habitan el mismo terreno, comprado por su padre. Al principio considerado un ‘paraíso’, el pedazo de tierra está situado en las afueras de una ciudad. La historia se desarrolla un domingo, en el que se cumplen veinte años de desaparición de Tata, el padre, que abandonó a los hermanos todavía pequeños. El día comienza con los hermanos en conflicto: Caín cumple el mandamiento de descansar, mientras que Abel sólo trabaja justamente los domingos, vendiendo cebos, escarabajos y lombrices para los vecinos a la pesca.

Caín produce pimientos, se dedica a la producción y al comercio y lo usa como motivo de orgullo para criticar a su hermano. Caín es quien en el futuro erigirá ciudades llenas de muros para defender el patrimonio. Abel no tiene apego a la tierra, es un nómada soñador, cultiva el ocio y disfruta de las delicias de la vida.

Primeras lecturas

Las acciones de este proyecto se iniciaron en mayo de 2016 con la lectura de Terrenal, un estudio en torno a la traducción. Marco Antonio también dirigió (en proyecto ideado por el Instituto Augusto Boal) otra pieza, de cuño político-social, de Mauricio Kartun – Ala de Criados – en septiembre de 2017.

Casi dos años después se realizó en el Ágora Teatro una lectura pública del texto Terrenal, ya con Celso Frateschi, Danilo Grangheia y Fernando Eiras.

Intercambios y sumas

Muchos confían en la fuerza del intercambio de las obras entre los países latinoamericanos. Esto es importante para la reflexionar sobre en qué escenarios las fronteras realmente establecen muros divisores y en cuáles son pura imaginación. Esta puesta de Terrenal nace del deseo de contribuir a una efectiva identificación de Brasil como parte de Latinoamérica, ya que los brasileños, en la mayoría de los casos, no reconocen una identidad cultural común con el resto del continente.

Kartun desarrolla textos que promueven, con una latínidad fantástica, debates sociales de los más intensos. Reconocido en toda América Latina como artista singular, es autor de más de treinta obras teatrales puestas en escena en diferentes países, entre ellas El niño argentino, Chau Misterix, El partener y La casita de los viejos. Entre premios y menciones de honor en la carrera cuenta con más de cuarenta reconocimientos. Con Terrenal – Pequeño Misterio, Kartun permanece en cartel con localidades agotadas desde hace cinco años en Buenos Aires (Argentina), con temporadas de éxito también en España, Chile y Puerto Rico.

El dramaturgo, amigo del brasilero Augusto Boal, escenificó en 1973 en Buenos Aires la pieza Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay! adaptación de la Revolución en América del Sur, del creador del Teatro del Oprimido.

Sinopsis

En un medio de un fracasado loteo, Caín y su hermano Abel desarrollan una versión del mito bíblico: la dialéctica historia entre el sedentario y el nómada, entre un Caín propietario, productor de pimientos reputados y un Abel vagabundo, que fuera de toda cadena de producción sobrevive vendiendo cebo vivo a los pescadores de la región. Dos hermanos siempre en pelea que comparten un mismo terreno baldío dividido y que jamás podrán construir una morada común.

Ficha técnica

Texto: Mauricio Kartun; Traducción: Cecilia Boal; Dirección: Marco Antonio Rodrigues; Cast: Celso Frateschi, Danilo Grangheia, Fernando Eiras y Demian Pinto; Dirección musical: Demian Pinto; Diseño de luz y operación: Túlio Pezzoni; Escenografía y vestuario: Sylvia Moreira; Fotos: Leekyung Kim; Idea: Instituto Boal
Horario: Jueves a sábado, 21h. Domingos, 18h. Lugar: Teatro SESC Santo Amaro, Rua Amador Bueno, 505. Duración: 100 min. Precio Localidades: R $ 20,00; R $ 10,00 (estudiantes, +60 años y jubilados, personas con discapacidad y servidores de la escuela pública); R $ 6,00 (Con Credencial Plena válida: trabajadores del comercio de bienes, servicios y turismo acreditados en el Sesc y dependientes).

También podría gustarte