Brasil: a cinco meses del incendio abren el Museo Nacional de Río a la prensa

Después del incendio, el Museo Nacional del Río es un esqueleto gigante de un solo piso

Por Júlia Barbon y Angela Boldrini (Traducción: Azahara Martín Ortega)

Paredes descascadas, pinturas derretidas, ladrillos a vista y rejas y vigas de acero retorcidas. El Museo Nacional, consumido por las llamas de un incendio hace poco más de cinco meses, se convirtió en un esqueleto gigante sin ventanas ni techo.

El martes (12), el edificio bicentenario, situado en la zona norte de Río de Janeiro, fue abierto por primera vez a la prensa, pero aún no hay previsión de apertura al público. Ahora sólo existe la planta baja, ya que el segundo y el tercer piso prácticamente se vinieron abajo.

Foto: Ricardo Borges

En la entrada aún impera el famoso Bendengó, con sus cinco toneladas es el mayor meteorito encontrado en Brasil. Enfrente, en la escalera de mármol, el paso del fuego continúa registrado en los pequeños agujeros que quedaron en las cintas antideslizantes.

Las llamas se extendieron de manera desigual y el jardín fue uno de los pocos espacios preservados.

El edificio entero está lleno de andamios y otras estructuras, que desde hace cuatro meses son instaladas por 60 empleados de la empresa Concrejato, contratada por la UFRJ (Universidad Federal del RJ) para reforzar de forma urgente la estructura del edificio y permitir que cerca de 50 investigadores del museo busquen objetos de la colección.

A estas alturas, todas las salas del museo ya han sido accedidas, pero no todas están «limpias», según la paleontóloga Luciana Carvalho. Una de ellas albergaba a Luzia, el esqueleto humano más antiguo descubierto en América, cuyo cráneo y parte del fémur fueron hallados en octubre.

Foto: Ricardo Borges

Hasta ahora, hay cerca de 2.000 artículos registrados, dice la arqueóloga Claudia Carvalho, que coordina las búsquedas. Estas unidades están siendo recolectadas, enviadas a clasificación, catalogadas, estabilizadas (proceso para evitar su deterioro) y luego restauradas, todo ello en cerca de 20 contenedores montados en el exterior del museo -la institución dice que necesita el doble.

Folha de S. Paulo


Museu Nacional do Rio virou esqueleto gigante de um só andar após incêndio

Por Júlia Barbon y Angela Boldrini

Paredes descascadas, tintas derretidas, tijolos à mostra e grades e vigas de aço retorcidas. O Museu Nacional, consumido por um incêndio há pouco mais de cinco meses, virou um gigante
esqueleto sem janelas nem teto.

Nesta terça-feira (12), o prédio bicentenário na zona norte do Rio de Janeiro foi aberto pela primeira vez à imprensa —no entanto, ainda não tem previsão de ser aberto ao público. Agora só existe o térreo, já que o segundo e o terceiro pavimentos foram quase inteiramente abaixo, e os tons de rosa e amarelo estão manchados com o preto e o cobre do queimado.

Na entrada ainda impera o famoso Bendengó, o maior meteorito já encontrado no Brasil, com suas cinco toneladas. Um pouco à frente, na escadaria de mármore, a passagem do fogo continua registrada nos pequenos furos que ficaram nas fitas antiderrapante. As chamas se espalharam de maneira desigual, e o jardim foi um dos poucos espaços preservados.

O prédio todo está cheio de andaimes e outras estruturas, que vêm sendo colocados há quatro meses por 60 funcionários da empresa Concrejato, contratada pela UFRJ (Universidade Federal do RJ) para reforçar emergencialmente a estrutura do prédio e permitir que cerca de 50 pesquisadores do museu busquem itens do acervo.

Foto: Ricardo Borges

Os operários vão entrando nas salas afetadas junto com as equipes de especialistas e ajudam a retirar os escombros, na maioria das vezes com as mãos. Há também dois guindastes, um de 130 toneladas e outro de 30, que auxiliam em locais onde isso é possível.

No início, os pesquisadores só conseguiam acessar certas salas numa espécie de gaiola, içada pelo guindaste, conta o paleontólogo Sérgio de Azevedo, que participa das buscas. «Foi assim que eu entrei na minha, ali no segundo andar», aponta ele na entrada do museu. Agora, podem entrar andando.

A equipe chegou a participar de um curso para fazer esse trabalho «em altura». Também trocou experiências com cientistas de Lisboa, onde em 1978 um grande incêndio destruiu parte do Museu Nacional de História Natural de Portugal.

A esta altura, todas as salas do museu já foram acessadas, mas nem todas estão «limpas», conta a também paleontóloga Luciana Carvalho. Uma delas é a que abrigava a Luzia, o esqueleto humano mais antigo descoberto na América, cujo crânio e uma parte do fêmur foram achados em outubro.

Os pesquisadores entraram ali só para resgatá-la e a encontraram dentro de um armário de metal. A área, porém, ainda segue cheia de escombros a serem vasculhados e retirados. Um dos métodos de achar fragmentos é uma peneira que exige um trabalho minucioso.

Foto: Ricardo Borges

Até agora, há cerca de 2.000 itens registrados, diz a arqueóloga Cláudia Carvalho, que coordena as buscas. Essas unidades vão sendo coletadas, encaminhadas para a triagem, catalogadas, estabilizadas (processo para evitar sua deterioração) e depois restauradas, tudo isso em cerca de 20 contêineres montados do lado de fora do museu —a instituição diz que precisa do dobro.

A professora, porém, pondera que não há como estimar qual é a porcentagem do acervo já encontrada, porque vários desses objetos podem ser de uma peça só, por exemplo. No total o museu tinha mais de 20 milhões de itens, incluindo o que não foi atingido pelo incêndio.

«Só depois que recuperarmos tudo vamos conseguir estimar e catalogar tudo, isso é um trabalho para 2020», afirma. Os pesquisadores calculam que a fase do resgate ainda vai durar até o final do ano. Já as obras de reforço da estrutura do prédio e instalação do teto provisório estão previstas para acabar até o fim de março.

Foto: Ricardo Borges

Esse teto ainda não foi colocado, mas duas salas (de arqueologia e de geologia e paleontologia) tiveram que receber tetos «provisórios dos provisórios» para que as buscas continuassem. A arquiteta Janaína Genara, da Concrejato, diz que as fortes chuvas da última quarta-feira (6) no Rio não atrapalharam.

«O que queremos aqui hoje é valorizar esse pessoal que tem trabalhado oito horas por dia, só com uma hora de almoço, muitas vezes sem poder trazer comida ou água por segurança, debaixo de sol e calor», afirmou o diretor do museu, Alexander Kellner.

Ele anunciou, sem dar mais detalhes, que está sendo planejada uma exposição com o acervo já recuperado ainda neste primeiro semestre. Também disse que a UFRJ lançou nesta segunda (11) um edital de R$ 1,1 milhão, que deve durar cerca de um mês, para selecionar projetos para a fachada do novo museu. Depois, ainda terá que ser feito um novo edital para a reforma em si.

Foto: Ricardo Borges

Camara rejeita criar agencia que lideraria reconstrucao

A Câmara rejeitou nesta terça (12) a medida provisória que criava a Abram (Agência Brasileira de
Museus). Ela foi editada pelo então presidente Michel Temer (MDB) após o incêndio do Museu
Nacional, no Rio, em setembro de 2018.

A medida criava uma agência para gerir de museus hoje subordinados aos ministérios da Cultura
e da Educação. Ela assumiria as funções que antes eram do Ibram (Instituto Brasileiro de
Museus) e comandaria a reconstrução do Museu Nacional.

Na reunião de líderes desta terça, houve acordo para que a medida fosse rejeitada. Segundo
disseram parlamentares, ela não é de interesse do governo de Jair Bolsonaro (PSL), por isso não
houve mobilização para que fosse votada.

Folha de S. Paulo

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