Brasil: convocan a artistas conservadores a crear una «máquina de guerra cultural»

Lo hizo Roberto Alvim, nuevo director del Funarte

Roberto Alvim será o novo diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte

O diretor de teatro Roberto Alvim foi convidado pelo governo Bolsonaro e deve assumir a direção do Centro de Artes Cênicas da Fundação Nacional das Artes, a Funarte. Alvim estava cotado para o cargo desde que mostrou-se alinhado com as ideias do presidente e apresentou um projeto que impressionou a cúpula, segundo fontes ligadas ao Ministério da Cidadania. Apoiado pelos atores Carlos Vereza e Regina Duarte, o diretor propôs a criação de uma Companhia de Teatro Brasileiro para percorrer o País encenando peças clássicas e uma grande escola de teatro. “Ele pode ativar esses projetos por meio da Funarte”, comentou a fonte ligada ao governo, sem maiores detalhes.

Alvim publicou uma espécie de convocatória em sua página no Facebook. Ele pedia o engajamento de “artistas conservadores” para criar uma “máquina de guerra cultural”. Sua intenção é criar um banco de dados de artistas para seus futuros projetos. Assim diz o post: “Caros, peço a todos os atores, diretores de teatro, dramaturgos, professores de artes cênicas, cenógrafos, figurinistas, iluminadores e sonoplastas, que se alinham aos valores conservadores no campo da arte do TEATRO, que enviem mensagens para o email [email protected] com seus currículos. Estamos montando um grande banco de dados de artistas de teatro conservadores para aproveitamento em uma série de projetos. E peço também que todos compartilhem essa mensagem (postem no Twitter tbm, por favor) para que chegue ao máximo de pessoas por todo o Brasil. Vamos criar uma máquina de guerra cultural! Muito obrigado e que Deus lhes abençoe!

Em outro post, fez comentários sobre “arte de direita” de “arte de esquerda”. “Arte de esquerda é doutrinação de todos os espectadores; arte de direita é emancipação poética de cada espectador.”

Istoé


Roberto Alvim enloqueceu?

Por Luiz Henrique Dias *

Quero começar essa reflexão dizendo que considero o diretor de teatro e dramaturgo, e nesta terça-feira anunciado novo diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Roberto Alvim um dos grandes nomes do teatro contemporâneo brasileiro e tenho por ele profunda admiração artística e conceitual.

Fui seu aluno no Núcleo de Dramaturgia do SESI, em Curitiba, e tive Alvim em minha casa e em meu antigo teatro, palestrando e assistindo a estreia de uma peça dirigida por mim e escrita sob a sua orientação. Seu livro, as dramáticas do transumano, ainda é meu livro de cabeceira e suas orientações fazem parte de minhas conversas sobre teatro e oficinas para novos autores. Pinókio é uma grande obra e julgo Construção do Kafka e Leite Derramado seus mais bem dirigidos espetáculos.

Dito isso, espero ser claro também ao dizer que ele – o Roberto Alvim – estabeleceu nos últimos meses, mas principalmente nos últimos dias, um pacto de guerra contra tudo aquilo que ele passou a julgar sujo, nefasto ou mesmo destoante aos seus “novos” pensamentos, cristãos, conservadores, bolsonaristas e olavistas.

Alvim sempre viveu de polêmicas e sempre fez delas o seu combustível. E acho razoável a qualquer pessoa que tenha passado por experiências na vida mudar de opinião, é um direito, mas usar de suas novas concepções para pregar uma verdadeira guerra cultural a pessoas e estéticas, usando um discurso fácil de luta contra a esquerda, e defender uma agenda “conservadora” e de caça a quem quer que seja é, no mínimo, subestimar espectadores e artistas, independentemente de suas posições políticas.

Alvim se tornou quem é em parte por sua genialidade e em muito pelas mãos do Estado, independente de quem governava.

Sua pesquisa e sua obra sempre estiveram organicamente ligadas ao fomento cultural, aos editais, principalmente do Ministério da Cultura, e ao sistema S, hoje “inimigos” de Alvim, do Governo e do “professor” Olavo, como ele chama.

O que ele combate hoje, em suas famosas postagens via Facebook, é justamente o que ele sempre foi e ainda é. E a agenda retrógrada e o pacto inicialmente informal com Bolsonaro – pedindo para artistas conservadores façam um cadastro para arrebanhar um exército anticultural na verdade – é o primeiro passo para que pessoas como ele mesmo, um pesquisador e inovador estético, nunca mais existam, porque não há pesquisa – teatral – fora do fomento e da diversidade. Prega uma caça ao novo e a tudo que não é planificado, como eu mesmo aprendi com ele a não fazer.

Ele mesmo me disse, e anotei em meu caderno, “devemos fazer uma arte que pensa, inova, provoca e procura dar conta do mundo e agir sobre ele”.

Roberto Alvim, com seu novo discurso de ódio a tudo aquilo que – agora – discorda, prega o fim dele mesmo e de todos os outros. Usa sua inteligência e capacidade de persuasão para atuar contra a arte brasileira e sua pluralidade.

Longe dele estar louco, muito longe.

Mesmo sobre os pó de suas incoerências, ele está apenas começando.

E, pelo jeito, não vai parar tão cedo.

* Luiz Henrique Dias é escritor e dramaturgo. Foi aluno de Roberto Alvim por dois anos no Núcleo de Dramaturgia do SESI e coordenou oficinas sob sua orientação. É autor de Guizos e dirigiu Como se eu fosse o mundo, Um carneiro para o jantar e precipício, peças escritas nas aulas do Núcleo.

Brasil 247

 


Roberto Alvim: “Bolsonaro me dará a possibilidade de fazer algo grande”

O diretor carioca Roberto Alvim, hoje com 46 anos, despontou nos palcos paulistanos no fim da década de 2000. Ao lado de sua mulher, a atriz Juliana Galdino, ele fundou a Cia. Club Noir em 2006 e beirou a unanimidade nos anos de 2010 com espetáculos marcantes, como Tríptico Samuel Beckett e Leite Derramado,que sempre vinham seguidos de enormes elogios de artistas e formadores de opinião.

Em setembro de 2018, o encenador decepcionou muitos dos seus admiradores ao anunciar seu apoio ao então candidato Jair Bolsonaro, eleito, no mês seguinte, presidente da República. Desde lá, Alvim afirma que tem sido alvo de ofensas e boicotes. A sede do Club Noir, na Rua Augusta, precisa ser entregue até o dia 25. Não é a primeira vez que Alvim e Juliana ficam mal das pernas diante do aluguel e anunciam o fechamento das portas, mas, dessa vez, sem o apoio de amigos ou de financiamento coletivo, a situação parece irreversível.

Segundo Alvim, porém, no dia 13, aconteceu um milagre. Ao sair da missa matinal, ele percebeu duas ligações perdidas de um número desconhecido no seu celular. Bastou retornar ao chamado para ouvir a voz do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista, por e-mail para VEJA SÃO PAULO, Alvim fala, entre outras coisas dessa conversa com Bolsonaro. E avisa que não teria tempo para réplicas porque, nos próximos dias, mergulharia em um ritmo de trabalho muito pesado.

Você se arrepende de ter declarado apoio ao presidente Jair Bolsonaro? 

E alguém pode se arrepender de escolher Deus e a verdade em detrimento de Satã e da mentira?

O que você diria a um artista que tenha a intenção de assumir um posicionamento político semelhante ao seu?

Eu direi que ele terá que atravessar um deserto, mas Deus nunca abandona seus filhos.

Você fala em saída do armário rumo ao conservadorismo. O que foi essa “saída do armário”?

Primeiro, eu me converti ao cristianismo. Essa foi a base a partir da qual me tornei conservador. E, por desdobramento inevitável, passei a apoiar politicamente a direita, encarnada em Jair Bolsonaro. Antes, eu era um esquerdista, propagador da agenda progressista. Estava cego e acreditava nas mentiras com que me bombardearam a vida inteira.

Em 2017, você descobriu um tumor benigno no intestino, certo? O medo de morrer, com um filho pequeno, mexeu com você e pode ter interferido nessa guinada?

A doença que quase me matou permitiu que a misericórdia infinita de Deus se manifestasse em minha vida. Seus caminhos parecem tortuosos para nós, mas seu plano é perfeito. Tive uma segunda chance, assim como Paulo, Jair Bolsonaro e o Brasil.

Você decidiu votar em Bolsonaro por suas ideias políticas ou por seus princípios de sociedade, moral e família?

Seu slogan de campanha já diz tudo o que é realmente preciso que se diga: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Na quinta, dia 13, você publicou nas redes sociais que recebeu um telefonema do presidente Jair Bolsonaro. Como foi essa conversa? O presidente tem referências de seu trabalho? 

Homem sensível, nobre e justo, eleito democraticamente por quase 58 milhões de brasileiros, o presidente Bolsonaro me dará a possibilidade de fazer algo grande e belo, visando redefinir a cultura brasileira. É uma missão de vida, para a qual venho me preparando desde que comecei no teatro, há quase 30 anos. E vou cumpri-la, em nome da dignificação da arte e para a glória de Deus eterno.

Você vem de uma família católica?

As orações permanentes de minha mãe me livraram do ateísmo e do satanismo e ajudaram a me reconduzir aos braços de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Desde quando você é um praticante e que igreja você costuma frequentar?

Frequento a missa diariamente, às vezes duas vezes por dia, desde 2017. Vou na Igreja do Calvário, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

O seu filho, Theo, de 11 anos, foi batizado?

Meu filho foi batizado, é óbvio.

Juliana Galdino, sua mulher, também vem de uma formação católica ou descobriu a religião com você?

Só Juliana pode responder isso a você.

De que forma a religião interferiu no seu teatro? 

Tudo o que faço é “Ad Majorem Dei Gloriam”.

 A classe artística, em grande parte, é alinhada à esquerda. Ao apoiar Bolsonaro você devia ter consciência de que estava indo contra uma corrente. Esperava uma reação tão surpresa e crítica de seus colegas?

Confesso que levei um susto diante de tanto ódio, intolerância e brutalidade. A classe teatral brasileira não hesitou em se juntar em bando para me linchar. Perdi todos os meus amigos e colegas de trabalho, mas agora percebo que foi um livramento. Ganhei minha alma de volta.

Você afirma que seu espetáculo Aurora foi suspenso pelo Sesc. Seria mesmo um boicote ou mais um dos tantos projetos que eles podem ter interrompido ou congelado por conta da crise?

Foi um boicote, uma perseguição deliberada, um ataque específico à arte e ao pensamento. Qualquer outra justificativa é pura e simplesmente mentira, ainda que eu não possa provar legalmente.

Por que você acha que seu último espetáculo, Todos os que Caem, estreado em março no Sesc Campo Limpo, não foi interrompido ou cancelado?

Porque já estava marcado e acordado plenamente antes que eu manifestasse publicamente o meu apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Mas você manifestou apoio ao atual presidente em setembro…

Sim, mas depois, covardemente, voltei atrás. Procurei o Sesc, entre outros artistas e curadores de festivais, e disse que eu não apoiava o candidato Bolsonaro, que tinha apenas me solidarizado com o episódio do atentado à sua vida. Tive medo na época. Hoje, eu me envergonho disso.

A ocupação do Sesc Campo Limpo, uma unidade bastante afastada da área central, para o espetáculo Todos os que Caem pode ser considerada como uma represália? 

De maneira alguma. Foi maravilhosa nossa temporada por lá. Enchemos o teatro e demos oficinas de dramaturgia e atuação, com resultados incríveis, inclusive para os moradores da região.

Quando você diz que é chamado de homofóbico e racista que tipo de acusações são feitas, o que argumentam?

São pessoas da classe teatral. Alguns eu conheço, outros não. Não apresentam argumento algum, argumentam nada, a não ser meu alinhamento com o presidente Bolsonaro e com o filósofo Olavo de Carvalho. A esquerda cria suas próprias narrativas, desvinculadas da realidade, e repete suas mentiras infinitas vezes, para ver se elas acabam colando. Na minha página na rede social Facebook, estão postadas as printagens de uma série de acusações falaciosas que me fazem, tais como nazista, fascista, propagador de discurso de ódio e até racista. Um alto funcionário do Sesc, inclusive, foi um dos primeiros a encetar essa campanha violentíssima de assassinato da minha reputação.

Por outro lado, você pode ter ganhado alguns aliados. A atriz Regina Duarte, por exemplo, teve algum contato com você?

Eu me tornei próximo da Regina Duarte, que tem me ajudado muito e com quem falo quase todos os dias. Além dela, o ator Carlos Vereza também se tornou um amigo.

Sempre pairou uma unanimidade em torno de seu nome, com admiradores fervorosos, alguns que sempre o consideram ou consideravam ídolo e referência, um público fiel e acolhida da imprensa. Como você imagina seu teatro daqui para frente sem esses seguidores?

Haverá muito mais espectadores para meus espetáculos, muito mais do que jamais houve. Os antigos admiradores da minha obra se mostraram tão falsos quanto nota de 3 reais… Perdê-los foi uma graça de Deus.

Sem o Club Noir e talvez com mais dificuldades para levantar suas produções, o que você pensa em fazer?

Vou mudar a história do teatro brasileiro.

Foi eleitor de Lula e de Dilma Rousseff em eleições passadas?

Votei em Lula e em Dilma, sim. Eu era um esquerdista até 2016, como disse anteriormente.

Como você se sente ao ouvir que o presidente Jair Bolsonaro, para citar duas declarações polêmicas, se diz admirador do coronel Brilhante Ustra e considera a decisão do STF que criminaliza homofobia como “equivocada”?

Considero maravilhosa a coragem desse homem, um mártir e um herói nacional, em dizer a verdade, por mais dura e difícil que seja. E concordo com ambas as declarações.

Veja SP

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