Músicos preocupados

Compositores da Baixada Fluminense temem a Covid-19 na carente região

Nascidos e criados na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, Sérgio Fonseca e Bira da Vila Já foram gravados por Zeca Pagodinho. Ambos conhecem bem a realidade local e contam as preocupações com a pandemia de coronavírus na região marcada por problemas sociais agudos.

Bira, 57 anos, é do município da Baixada Fluminense onde o prefeito Washington Reis resolveu peitar o isolamento imposto e disse que não fecharia as igrejas.

Hoje, o governante entrou nas estatísticas dos infectados no país com a Covid-19.

“A liderança na cidade insufla o povo a ficar na rua. Vamos acabar marcada como a cidade com a maior tragédia em relação à transmissão do coronavírus”, diz.

Ele lembra que Duque de Caxias, pouco antes de sua emancipação de Nova Iguaçu (1943), teve um surto de febre amarela, motivado pela falta de saneamento básico na região, que atingiu fortemente a população local.

“O povo da Baixada se acostumou a viver nessa miséria”, diz. “Você imagina (como vai ser a pandemia) numa região que sempre foi negada a saúde, educação e cultura.”

Também em Duque de Caxias parcela da população não tem respeitado as medidas restritivas adotadas pelo Governo do Estado do Rio, o que ele atribui parte pela desinformação.

“Temo ver aqui o que vimos na Itália. Um cara (o prefeito) que diz que a salvação está na igreja e sair na rua, o que se pode esperar?”, afirma.

Mesquita

“É uma área muito carente. Se bater aqui, vai se espalhar com rapidez. E não tem hospital”, conta Sérgio, 75 anos, que vive há décadas em Mesquita e onde moradores com suspeita grave de coronavírus são removidos para unidades em outros municípios, como o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, principal centro de atendimento de emergência da Baixada Fluminense.

O compositor não vê o isolamento social sendo cumprido por lá. “O pessoal tem saído, tem gente na rua. No início a rua estava vazia, havia certo respeito. Agora estão voltando a sair. Isso me preocupa. Caso o vírus se alastre por aqui vai ser muito difícil porque o sistema de saúde não tem estrutura para suportar.”

CartaCapital

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