La canción brasileña pierde a una figura emblemática: murió Inezita Barroso

A cantora e apresentadora Inezita Barroso morreu na noite deste domingo, de insuficiência respiratória aguda. Segundo o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ela estava internada desde 19 de fevereiro, a morte aconteceu às 22h.
O velório, aberto ao público, está sendo realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo desde 7h30. O enterro será às 17h, no cemitério Gethsêmani, no bairro do Morumbi.
Com 90 anos recém-completos no dia 4 de março, Inezita já havia sido internada em dezembro do ano passado por conta de uma queda sofrida na casa onde estava hospedada, em Campos do Jordão.
Nascida Ignês Madalena Aranha de Lima, a paulistana Inezita Barroso cresceu em meio às fazendas de sua abastada família e, cantora desde os sete anos, encantou-se pelas modas de viola dos peões. Enfrentou resistência dos pais ao querer se dedicar à sua paixão, a música caipira, mas nem isso a impediu de, mais tarde se tornar uma referência no gênero.
Em 1947, aos 22 anos, ela se casou com o advogado Adolfo Cabral Barroso, de quem adotou o sobrenome e com quem teve uma única filha, Marta Barroso Macedo Leme. Os dois se separaram em 1956.
«Funeral de um Rei Nagô» foi seu primeiro álbum, gravado ainda em 1951 pela Sinter. Mas foi dois anos mais tarde, na gravadora RCA, que a paulistana começou a sentir o gosto do sucesso, quando gravou um compacto em que tinha de um lado «Marvada pinga» e do outro o primeiro registro de «Ronda», composta por Paulo Vanzolini.
A consolidação veio alguns anos mais tarde, já contratada da gravadora Copacabana, onde ficou por quatro décadas.
«Eu sempre fui de caminhar um pouco à margem. Nunca deixei que a gravadora me influenciasse. Se quisessem, era daquele jeito. Se não, eu não gravava», disse em entrevista ao GLOBO em 2012.
Multifacetada, a cantora era também instrumentista, violonista, arranjadora, folclorista, professora e atriz. Uma mulher em tantas, ela atuou em nove filmes e foi premiada por «A mulher de verdade» (1954). Em novembro de 2014, foi eleita para ocupar uma das cadeiras na Academia Paulista de Letras, em substituição à também folclorista Ruth Guimarães.
Como apresentadora, Inezita esteve à frente por quase 35 anos do programa «Viola, minha viola», da TV Cultura, onde manteve seu compromisso com a música caipira e fez dele uma referência do gênero desde a década de 1980.
Em sua biografia lançada em novembro, «Inezita Barroso – Rainha da Música Caipira», do jornalista Carlos Eduardo Oliveira, ela narrou em primeira pessoa sua trajetória. Nele, Inezita também falava do sertanejo atual, o qual mantinha-se discordante e classificava como «sertanojo». «A verdade é que esse pseudosertanejo atual é música inventada pela indústria, sem raiz, paupérrima, sempre a mesma letra, sempre o mesmo ritmo! Um modismo», desabafou no livro.
Inezita Barroso deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.
O Globo

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