Falleció el director de cine y televisión brasilero Antonio Abujamra

957

Os ‘fracassos’ de Antônio Abujamra

“A gente precisa fazer um fracasso juntos. Fracasso é muito mais divertido”, disse Antonio Ambujamra, certa vez, ao amigo Jô Soares. Jô recordou a conversa ao falar sobre a despedida do ator e diretor de teatro, que morreu de problemas cardíacos aos 82 anos, na madrugada desta terça-feira, enquanto dormia em São Paulo. Em tempos em que o discurso é tão outro – e tão sério –, o convite se estende a todos nós.

Não muito parecia assustar essa grande personalidade da cultura brasileira – dono de uma voz, uma pinta e uma erudição pop tão marcantes, que certamente nunca será esquecido. Filósofo e jornalista de formação, Abujamra teve sua imagem fortemente associada à novela Que rei sou eu?, exibida pela Globo em 1989. No folhetim, de enorme sucesso à época, tanto de público como de crítica, ele interpretava Ravengar, bruxo da corte do reino de Avilan, em 1786, antes da Revolução Francesa.
Mas o legado de Abu – como era carinhosamente chamado – é muito mais extenso. Recitava prosa e poesia sem receios e como ninguém. Era um pensador, íntimo, ademais, de um humor inteligente e refinado. Foi um dos primeiros atores brasileiros a adotar as técnicas contemporâneas de Bertolt Brecht e Roger Planchon. Exerceu crítica teatral desde muito cedo. Desde 2000, apresentava o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura.

Na arte de entrevistar, por sinal, fazia provocações como ninguém. Tanto que terminava cada episódio de seu programa com a pergunta: “O que é a vida?”.

El Pais


O adeus do provocador Antônio Abujamra

 

O ator e diretor Antônio Abujamra morreu aos 82 anos na madrugada dessa terça-feira, 28, em São Paulo. Segundo a família, ele estava dormindo em casa.

Abujamra foi um dos primeiros encenadores brasileiros a adotar as técnicas contemporâneas de Bertolt Brecht e Roger Planchon. Desde 2000, apresentava o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura.

A figura de Abujamra ficou fortemente associada à novela Que Rei Sou Eu, exibida pela Globo em 1989. Ele interpretava Ravengar, bruxo da corte do reino de Avilan.

Paulista de Ourinhos, Abujamra cursou jornalismo e filosofia no Rio Grande do Sul. Sua estreia profissional como diretor ocorreu em 1961, em São Paulo, com três peças na mesma temporada: José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal, Raízes, de Arnold Wesker, e Antígona América, de Carlos Henrique Escobar.

Durante a ditadura, teve problemas com a censura. Em 1965, sua montagem de O Berço do Herói, de Dias Gomes, foi proibida no último ensaio antes da estreia. Acumulou prêmios e temporadas de muito sucesso popular.

Abujamra só assumiria a carreira de ator de forma tardia, aos 55 anos. O estouro televisivo de Que Rei Sou Eu? foi acompanhado de prêmios teatrais importantes.

Em 2008, quando esteve em Fortaleza para apresentação do monólogo O Provocador, Abujamra deu ema entrevista “provocativa” às Páginas Azuis, do O POVO. Em meio a respostas sarcásticas, confundia-se entre o homem e o personagem. Sobre o que o fazia sentir provocado, lançou: “É só andar pela rua. Ande em seu país e veja o que acontece. Pegue um ônibus! Veja a camisa suada do cara na sua frente. Tudo isso me provoca. Pega um jornal e abre. Nós somos provocados constantemente. Você nunca percebeu isso?”. Na despedida dos repórteres gritou de braços erguidos “Aleluia! Aleluia! Por favor, terminem a reportagem assim. Aleluia! Aleluia! Aleluia!”

Opovo


Aos 82 anos, morre ator e diretor Antônio Abujamra

Morreu nesta terça-feira (28), em São Paulo, o ator, diretor e apresentador Antônio Abujamra, aos 82 anos. A informação foi confirmada pela TV Cultura, onde ele apresentava o programa “Provocações”. A página oficial da atração no Facebook divulgou nota lamentando a notícia: “É com grande pesar que informamos que hoje, 28/04/2015, o apresentador de Provocações, Antônio Abujamra, faleceu. Agradecemos o carinho e apoio de todos que tem nos acompanhado ao longo desses 14 anos de programa”. A causa da morte não foi revelada.

Considerado uma figura inovadora no cenário teatral brasileiro nas décadas de 1960 e 1970, Abujamra nasceu em 13 de setembro de 1932, em Ourinhos (SP). Formou-se em filosofia e jornalismo pela PUC do Rio Grande do Sul. Ao voltar da Europa, onde passou uma temporada, estreou profissionalmente em 1961 dirigindo “Raízes”, de Arnold Wesker, no Teatro Cacilda Becker, e “José, do Parto à Sepultura”, de Augusto Boal, no Teatro Oficina. Na sequência, dirige uma série de espetáculos para a produtora Ruth Escobar, começando por “Antígone, América”, de Carlos Henrique Escobar (1962).

Em 1963, funda o Grupo Decisão com Antônio Ghigonetto e Emílio Di Biasi, com a intenção de fazer um teatro político, influenciado por Bertold Brecht. Posteriormente, ele trabalha com Nicette Bruno e Paulo Goulart no Teatro Livre. Em 1975, a censura proíbe a estreia de “Abajur Liás”, de Plínio Marcos. No mesmo ano, ele dirige Antônio Fagundes no monólogo “Muro de Arrimo”, de Carlos Queiroz Telles.

No início dos anos 1980, dedica-se a recuperar o Teatro Brasileiro de Comédia, em um movimento que acaba lançando grandes nomes, como Millôr Fernandes. Abujamra atuou ainda em novelas como “Que Rei Sou Eu?” (1989), da TV Globo, que o tornou mais conhecido do grande público. Em 1991, funda a companhia Os Fodidos Privilegiados e recebe um Prêmio Molière pela direção do espetáculo “Um Certo Hamlet”.

Revista Forum