Premio San Pablo de Literatura

A escritora Beatriz Bracher foi anunciada, nesta segunda-feira (10), a vencedora o Prêmio São Paulo de Literatura 2016. Seu livro «Anatomia do paraíso» (Editora 34) levou na categoria Melhor Livro de Romance do Ano. Pela conquista, a autora levou R$ 200 mil. A cerimônia de entrega aconteceu na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

Em nota, o júri classificou a obra ganhadora como um «livro intenso, com personalidade desde a primeira página, inteligente e provocador, escrito em linguagem bela e refinada, com descrições precisas, visuais, associadas à construção da tensão».

Os outros dois premiados da noite foram Marcelo Maluf, com «A imensidão íntima dos carneiros» (Editora Reformatório), eleito na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com mais de 40 anos, e Rafael Gallo, com «Rebentar» (Record), eleito na categoria Melhor Livro de Romance do Ano – Autor Estreante com menos de 40 anos. Os dois levaram R$ 100 mil.

Sobre a obra de Maluf, o júri declarou: «Romance ao mesmo tempo delicado, sobretudo na linguagem, e forte, na idéia de que toda tragédia perpetua, ainda que de forma não aparente. O autor bebe com felicidade incomum na tradição da narrativa e das fábulas para dar conta de uma trama que se passa em tempos e realidade tão distante».

Já sobre a obra de Gallo, os jurados disseram: «Às vezes, a condução do enredo nos dá a impressão de que o autor vai escolher alguma saída redentora, mas ele não faz isso e sustenta de modo vigoroso, por quase 400 páginas, essa história de um aprendizado impossível».

Maior premiação do país em valor
Inspirado no Man Booker, principal distinção da literatura britânica, e criado em 2008, o Prêmio SP de Literatura é o maior do país em valor individual. A disputa é promovida pelo Governo do Estado de São Paulo.

Além dos R$ 200 mil, Beatriz Bracher ganhou um convite para participar de um debate sobre literatura brasileira na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, um dos principais eventos do mundo no setor.

A viagem é patrocinada pela Embaixada do México no Brasil e pelo Consulado do México em São Paulo, em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado.

Regras
Em 2016, foram inscritos ao todo 175 livros no Prêmio São Paulo de Literatura: 79 na categoria livro do ano, 52 para estreante com mais de 40 anos e 44 para estreante com menos de 40 anos.

O regulamento exigia que as obras fossem do gênero romance de ficção, escritas originalmente em português e com primeira edição e comercialização mundial obrigatoriamente no Brasil entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2015.

A regra possibilitou que, pela primeira vez, um livro de autor estrangeiro ficasse entre os finalistas: «Mulheres de cinzas – As areias do imperador» (Companhia das Letras), de Mia Couto, cuja primeira edição circulou no país. Um livro que tivesse sido originalmente escrito em língua portuguesa, mas publicado primeiro Portugal, por exemplo, não poderia concorrer.

Júri e curadoria
O júri final do Prêmio São Paulo de Literatura 2016 foi formado por cinco profissionais do meio literário: Adriano Schwartz, Elisabeth Brait, Estêvão Andozia Azevêdo, Heloisa Beatriz Goulart Jahn e Ronald Polito de Oliveira.

A curadoria ficou sob responsabilidade de Fonseca Ferreira, Pierre André Ruprecht, Samuel de Vasconcelos Titan Junior, Sandra Regina Ferro Espilotro e Sueli Nemen Rocha.

Veja abaixo os finalistas do Prêmio SP de Literatura e os vencedores em destaque:

Melhor Livro de Romance do Ano de 2015 (R$ 200 mil)
Beatriz Bracher – «Anatomia do paraíso» (Editora 34)
João Almino – «Enigmas da primavera» (Record)
Julián Fúks – «A resistência» (Companhia das Letras)
Marcelo Rubens Paiva – «Ainda estou aqui» (Alfaguara)
Mia Couto – «Mulheres de cinzas – As areias do imperador» (Companhia das Letras)
Nei Lopes – «Rio Negro, 50» (Record)
Noemi Jaffe – «Írisz: As orquídeas» (Companhia das Letras)
Paula Fábrio – «Um dia toparei comigo» (Editora Foz)
Raimundo Carrero – «O senhor agora vai mudar de corpo» (Record)
Santana Filho – «A casa das marionetes» (Editora Reformatório)

Melhor Livro do Ano de Romance – Autor Estreante com mais de 40 anos (R$ 100 mil)
Eda Nagayama – «Desgarrados» (Cosac Naify)
Marcelo Maluf – «A imensidão íntima dos carneiros» (Editora Reformatório)
Robertson Frizero – «Longe das aldeias» (Editora Dublinense)

Melhor Livro do Ano de Romance – Autor Estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil)
Alex Sens – «O frágil toque dos mutilados» (Autêntica)
Isabela Noronha – «Resta um» (Companhia das Letras)
Julia Dantas – «Ruína y leveza «(Não Editora)
Rafael Gallo – «Rebentar» (Record)
Sheyla Smanioto – «Desesterro» (Record)
Tércia Montenegro – «Turismo para cegos» (Companhia das Letras)
Tomas Rosenfeld – «Para não dizer que não falei de Flora» (7 Letras)

Publicado en Globo

Escritora Beatriz Bracher desbanca Mia Couto e vence o Prêmio São Paulo de Literatura

Beatriz Bracher, 55, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria melhor romance, na última segunda-feira (11). O livro Anatomia do Paraíso (Editora 34, 2015) fez a autora levar o prêmio de R$ 200 mil.

Trata-se da segunda grande condecoração que Bracher vence pela obra: em junho, ela ganhou Prêmio Rio de Literatura (R$ 100 mil).

Anatomia do Paraíso conta a história de Félix, um estudante que trabalha em uma dissertação de mestrado sobre o poema épico Paraíso Perdido, de John Milton. O romance aborda temas como violência sexual, morte e redenção.

O júri justifica a escolha destacando a intensidade do livro, que tem «personalidade desde a primeira página, [é] inteligente e provocador, escrito em linguagem bela e refinada, com descrições precisas, visuais, associadas à construção da tensão».

Bracher desbancou o cultuado Mia Couto, autor moçambicano que se tornou o primeiro estrangeiro a concorrer na premiação. Ele permaneceu como finalista, porMulheres de Cinzas – As Areias do Imperador. Noemi Jaffe (Írisz: As Orquídeas) e Marcelo Rubens Paiva (Ainda Estou Aqui) também são finalistas.

A escritora paulistana é autora de livros como Garimpo (2013) e Meu Amor (2009) – ambos lançados pela Editora 34, que ela ajudou a fundar.

Bracher também é roteirista de cinema. Ela coescreveu os filmes O Abismo Prateado(2011), dirigido por Karim Aïnouz, e Os Inquilinos (2009), de Sergio Bianchi.

Rafael Gallo venceu o prêmio de estreante com menos de 40 anos de idade, por Rebentar (Record, 2015). Marcelo Maluf ganhou na categoria de mais de 40 anos, por A Imensidão Íntima dos Carneiros (Reformatório, 2015). Cada um levou R$ 100 mil.

O júri foi composto pelos especialistas Adriano Schwartz, Elisabeth Brait, Estevão Azevedo, Heloísa Jahn e Ronald Polito de Oliveira.

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