Brasil: Mujeres radicales, arte latino-americana

(Esta información está publicada en portugués y español. Puede elegir el idioma de su preferencia / Esta informação é publicada em Português e Espanhol. Você pode escolher o idioma de sua preferência)

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018, a grande exposição coletiva Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985, no primeiro andar da Pinacoteca. A mostra tem curadoria da historiadora de arte e curadora venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta e é a primeira na história a levar ao público um significativo mapeamento das práticas artísticas experimentais realizadas por artistas latinas e a sua influência na produção internacional. Quinze países estarão representados por cerca de 120 artistas, reunindo mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo, pintura e outros suportes.  A apresentação na capital paulista encerra a itinerância e conta com a colaboração de Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca.

Mulheres radicais aborda uma lacuna na história da arte ao dar visibilidade à surpreendente produção, realizada entre 1960 e 1985, dessas mulheres residentes em países da América Latina, além de latinas e chicanas nascidas nos Estados Unidos. Entre elas, constam na mostra algumas das artistas mais influentes do século XX — como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez e Marta Minujín — ao lado de nomes menos conhecidos — como a artista mexicana Maria Eugenia Chellet, a escultora colombiana Feliza Bursztyn e as brasileiras Leticia Parente, uma das pioneiras da vídeoarte, e Teresinha Soares, escultora e pintora mineira que vem recebendo atenção internacional recentemente.

O recorte cronológico da coletiva é tido como decisivo tanto na história da América Latina, como na construção da arte contemporânea e nas transformações acerca da representação simbólica e figurativa do corpo feminino. Durante esse período, as artistas pioneiras partiram da noção do corpo como um campo político e embarcaram em investigações radicais e poéticas para desafiar as classificações dominantes e os cânones da arte estabelecida. “Essa nova abordagem instituiu uma pesquisa sobre o corpo como redescoberta do sujeito, algo que, mais tarde, viríamos a entender como uma mudança radical na iconografia do corpo”, contam as curadoras. Essas pesquisas, segundo elas, acabaram por favorecer o surgimento de novas veredas nos campos da fotografia, da pintura, da performance, do vídeo e da arte conceitual.

A abordagem das artistas latino-americanas foi uma forma de enfrentar a densa atmosfera política e social de um período fortemente marcado pelo poder patriarcal (nos Estados Unidos) e pelas atrocidades das ditaduras apoiadas por aquele país (na América Central e do Sul), que reprimiram esses corpos, sobretudo os das mulheres, resultando em trabalhos que denunciavam a violência social, cultural e política da época. “As vidas e as obras dessas artistas estão imbricadas com as experiências da ditadura, do aprisionamento, do exílio, tortura, violência, censura e repressão, mas também com a emergência de uma nova sensibilidade”, conta Fajardo-Hill.

Para Giunta, tópicos como o poético e o político são explorados, na exposição, “em autorretratos, na relação entre corpo e paisagem, no mapeamento do corpo e suas inscrições sociais, nas referências ao erotismo, ao poder das palavras e ao corpo performático, a resistência à dominação; feminismos e lugares sociais”. E complementa: “Estes temas atravessaram fronteiras, surgindo em obras de artistas que vinham trabalhando em condições culturais muito diferentes”. Não à toa, a mostra é estruturada no espaço expositivo em torno de temas em vez de categorias geográficas. A curadora da Pinacoteca, Valéria Piccoli, destaca a importância da representatividade das brasileiras dentro da mostra: “além dos nomes que participaram das exposições no Hammer e no Brooklyn Museum, também vamos incluir obras de Wilma Martins, Yolanda Freyre, Maria do Carmo Secco e Nelly Gutmacher na apresentação em São Paulo”, revela.

A América Latina conserva uma forte história de militância feminista que — com exceção do México e alguns casos isolados em outros países nas décadas de 1970 e 1980 — não foi amplamente refletida nas artes. Mulheres radicais propõe consolidar, internacionalmente, esse patrimônio estético criado por mulheres que partiram do próprio corpo para aludir — de maneira indireta, encoberta ou explícita –- as distintas dimensões da existência feminina. Para tanto, as curadoras vêm realizando uma intensa pesquisa, desde 2010, que inclui viagens, entrevistas, análise de publicações nas bibliotecas da Getty Foundation, da University of Texas entre diversas outras.

O argumento central da exposição mostra que, embora boa parte dessas artistas tenham sido figuras decisivas para a expansão e diversificação da expressão artística em nosso continente, ainda assim não haviam recebido o devido reconhecimento. “A exposição surgiu de nossa convicção comum de que o vasto conjunto de obras produzidas por artistas latino-americanas e latinas tem sido marginalizado e abafado por uma história da arte dominante, canônica e patriarcal”, definem as curadoras.  Segundo o diretor da Pinacoteca, Jochen Volz, “foram, principalmente, artistas mulheres as pioneiras que experimentaram novas formas de expressão, como performance e vídeo, entre outras. Assim, a itinerância da mostra Mulheres radicais para o Brasil é de grande relevância para a pesquisa contemporânea artística e acadêmica e o público em geral”.

Esse rico conjunto de trabalhos, bem como os arquivos de pesquisa, coletados para a concepção da exposição, chegam finalmente ao público paulista, contribuindo para abrir novos caminhos investigativos e entendimentos acerca da história latino-americana. ”O tópico agora faz parte de uma pauta ampla e ao mesmo tempo urgente. Entretanto, ainda há muito trabalho a ser feito e temos plena consciência de que este é apenas o começo”, finalizam as curadoras.

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985 é organizada pelo Hammer Museum, Los Angeles, como parte da Pacific Standard Time: LA/LA, uma iniciativa da Getty em parceria com outras instituições do Sul da Califórnia e teve curadoria das convidadas Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta. Sua apresentação na Pinacoteca de São Paulo conta com o patrocínio do Itaú, Itaú Carros, escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, BTG Pactual e Vicunha Têxtil, além do apoio das revistas Select, ArtNexus, Claudia e Capricho. A exposição é realizada graças ao apoio da Getty Foundation. A maior parte dos recursos da mostra foram promovidos por Diane and Bruce Halle Foundation e Eugenio López Alonso. Apoio generoso foi oferecido por Vera R. Campbell Foundation, Marcy Carsey, Betty e Brack Duker, Susan Bay Nimoy, e Visionary Women.

EXHIBITION CIRCLE
Pela primeira vez em sua história, a Pinacoteca concebe um Exhibition Circle — prática bastante comum nos EUA e na Europa para arrecadar fundos — especialmente para esta exposição. Para a ocasião, o museu convidou 30 mulheres inspiradoras e pioneiras em suas áreas de atuação para colaborarem financeiramente na viabilização de Mulheres radicais. “Convidamos mulheres que refletem o espírito desta exposição e que, para nós, são fonte de admiração e merecem reconhecimento público. O grupo que chamamos carinhosamente de ´Mulheres Extraordinárias´ representa o engajamento e o pioneirismo feminino em diversas áreas da sociedade”, conta Paulo Vicelli, diretor de Relações Institucionais da Pinacoteca. Integra a lista de homenageadas: Adriana Cisneros, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, Catherine Petigás, Estrellita Brodsky, Luisa Strina, Fernanda Feitosa, Lygia da Veiga Pereira Carramaschi, Luiza Helena Trajano, entre outras.

CATÁLOGO
Mulheres radicais será complementada com um catálogo que inclui as biografias das mais de 120 artistas e mais de 200 imagens de obras da mostra além de outras de referência documental, ampliando o panorama deste mapeamento para além da exposição. A publicação original é a primeira a reunir uma extensa pesquisa sobre o tema e sua versão portuguesa editada pela Pinacoteca de São Paulo é a primeira a tornar este conteúdo acessível aos leitores da América Latina. Diferentemente da mostra, o catálogo é organizado por países acompanhados de ensaios de Fajardo-Hill e Giunta, assim como outros dez autores, como a curadora-chefe do Hammer Museum, Connie Butler, e a guatemalteca Rosina Cazali.

AÇÃO EDUCATIVA

Visitas educativas
A partir do dia 25/08, domingos e feriados.
10h30 às 11h30 e 15h00 às 16h00 – Pina Luz
Não é preciso realizar inscrição prévia. O visitante pode procurar pelo educador na recepção do museu. Grupo de até 20 pessoas.
Para agendar uma visita educativa à exposição Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985,  entre em contato pelos telefones (11) 3324-0943 ou 3324-0944.

Encontro para formação de professores e lançamento do material de apoio à prática pedagógica
01/09, das 10h00 às 13h00 – auditório – Pina Luz
Inscrições a partir de 20/08, pelos telefones 3324-0943/0944.
50 vagas.

Conversa com artistas e curadoras – Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985
Com as curadoras Cecília Fajardo-Hill e Andrea Giunta
18/08, das 15h00 às 16h40 – auditório – Pina Luz.
Não é necessário se inscrever.
Mais informações, clique aqui.
Para assistir a palestra completa, clique aqui. 

Curso de História da Arte
Artistas mulheres: uma história da arte no Brasil
Primeira aula dia no 25 de agosto,  das 15h às 17h.
Inscrições e mais informações:  bit.ly/2MrHIrS

ARTISTAS PARTICIPANTES

Argentina
Maria Luisa Bemberg (1922–1995); Delia Cancela (1940); Graciela Carnevale (1942); Diana Dowek (1942); Graciela Gutiérrez Marx (1945); Narcisa Hirsch (Germany, 1928); Ana Kamien and Marilú Marini (1935 and 1954); Lea Lublin (Poland, 1929–1999); Liliana Maresca (1951–1994); Marta Minujín (1943); Marie Orensanz (1936;) Margarita Paksa (1933); Liliana Porter (1941); Dalila Puzzovio (1943); Marcia Schvartz (1955).

Brasil
Mara Alvares (1948); Claudia Andujar (Suíça, 1931); Martha Araújo (1943); Vera Chaves Barcellos (1938); Lygia Clark (1920–1988); Analívia Cordeiro (1954); Liliane Dardot (1946); Lenora de Barros (1953); Yolanda Freyre (1940); Iole de Freitas (1945); Anna Bella Geiger (1933); Carmela Gross (1946); Nelly Gutmacher (1941); Anna Maria Maiolino (Italy, 1942); Márcia X. (1959–2005); Wilma Martins (1934); Ana Vitória Mussi (1943); Lygia Pape (1927–2004); Letícia Parente (1930–1991); Wanda Pimentel (1943); Neide Sá (1940); Maria do Carmo Secco (1933); Regina Silveira (1939); Teresinha Soares (1927); Amelia Toledo (1926–2017); Celeida Tostes (1929–1995); Regina Vater (1943);

Chile
Gracia Barrios (1927); Sybil Brintrup and Magali Meneses (1954 and 1950); Roser Bru (Spain, 1923); Gloria Camiruaga (1941–2006); Luz Donoso (1921–2008); Diamela Eltit (1949); Paz Errázuriz (1944); Virginia Errázuriz (1941); Lotty Rosenfeld (1943); Janet Toro (1963); Eugenia Vargas Pereira (1949); Cecilia Vicuña (1948).

Colombia
Alicia Barney (1952); Delfina Bernal (1941); Feliza Bursztyn (1933–1982); María Teresa Cano (1960); Beatriz González (1938); Sonia Gutiérrez (1947); Karen Lamassonne (Estados Unidos, 1954); Sandra Llano-Mejía (1951); Clemencia Lucena (1945–1983); María Evelia Marmolejo (1958); Sara Modiano (1951–2010); Rosa Navarro (1955); Patricia Restrepo (1954); Nirma Zárate (1936–1999).

Costa Rica
Victoria Cabezas (Estados Unidos, 1950)

Cuba
Ana Mendieta (1948–1985); Marta María Pérez (1959); Zilia Sánchez (1928).

Estados Unidos
Judith F. Baca (1946); Barbara Carrasco (1955); Josely Carvalho (Brazil, 1942); Isabel Castro (Mexico, 1954); Ester Hernández (1944); Yolanda López (1942); María Martínez-Cañas (Cuba, 1960); Marta Moreno Vega (1942); Sylvia Palacios Whitman (Chile, 1941); Sophie Rivera (1938); Sylvia Salazar Simpson (1939); Patssi Valdez (1951).

Guatemala
Margarita Azurdia (1931–1998)

México
Yolanda Andrade (1950); Maris Bustamante (1949); Ximena Cuevas (1963); Lourdes Grobet (1940); Silvia Gruner (1959); Kati Horna (Hungary, 1912–2000); Graciela Iturbide (1942); Ana Victoria Jiménez (1941); Magali Lara (1956); Mónica Mayer (1954); Sarah Minter (1953–2016); Polvo de Gallina Negra (ativo 1983–93); Carla Rippey (Estados Unidis, 1950); Jesusa Rodríguez (1955); Pola Weiss (1947–1990); Maria Eugenia Chellet (1948).

Panamá
Sandra Eleta (1942)

Paraguai
Olga Blinder (1921–2008); Margarita Morselli (1952).

Peru
Teresa Burga (1935); Gloria Gómez-Sánchez (1921–2007); Victoria Santa Cruz (1922–2014).

Porto Rico
Poli Marichal (1955); Frieda Medín (1949).

Uruguai
Nelbia Romero (1938–2015); Teresa Trujillo (1937).

Venezuela
Mercedes Elena González (1952); Margot Römer (1938–2005); Antonieta Sosa (Estados Unidos, 1940); Tecla Tofano (Itália, 1927–1995); Ani Villanueva (1954); Yeni y Nan (ativo 1977–86).

SERVIÇO
Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985
Curadoria de Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta
Colaboração de Valéria Piccoli
Abertura: 18 de agosto de 2018, sábado, às 11h00
Visitação: de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018
De quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30 – com permanência até às 18h00
Pinacoteca: Praça da Luz 2, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 6,00 (entrada); R$ 3,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha)
Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento.
Aos sábados, a entrada da Pina é gratuita para todos.
Pina Estação é gratuita todos os dias.

Amigo da Pina tem acesso ilimitado além de desconto na loja e no café. Também pode participar de visitas guiadas e outros eventos com a equipe da Pinacoteca. Para saber mais sobre o programa, acesse: http://pinacoteca.org.br/apoie/amigos-da-pina/

Pinacoteca


Mujeres radicales: arte latinoamericano, 1960-1985

La Pinacoteca de São Paulo, museo de la Secretaría de la Cultura del Estado de São Paulo, presenta, del 18 de agosto al 19 de noviembre de 2018, la gran exposición colectiva Mujeres radicales: arte latinoamericano, 1960-1985, en el primer piso de la Pinacoteca. La muestra tiene curaduría de la historiadora de arte británica venezolana Cecilia Fajardo-Hill y de la investigadora argentina italiana Andrea Giunta. Es la primera exposición en la historia que lleva al público un significativo mapeo de las prácticas artísticas experimentales realizadas por artistas latinas y su influencia en la producción internacional. Quince países estarán representados por cerca de 120 artistas, reuniendo más de 280 trabajos en fotografía, video, pintura y otros soportes.  La presentación en la capital paulista cierra la itinerancia y cuenta con la colaboración de Valéria Piccoli, curadora jefe de la Pinacoteca.

Mujeres radicales aborda una laguna en la historia del arte al dar visibilidad a la sorprendente producción llevada a cabo entre 1960 y 1985, de esas mujeres residentes en países de Latinoamérica, además de latinas y chicanas nacidas en los EUA. Entre ellas, figuran en la muestra algunas de las artistas más influyentes del siglo XX — como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz González y Marta Minujín — al lado de nombres menos conocidos – como la artista de performance mexicana Maria Eugenia Chellet,la escultora colombiana Feliza Bursztyn y las brasileñas Leticia Parente, una de las pioneras del videoarte, y Teresinha Soares, escultora y pintora minera[1] que recientemente viene recibiendo atención internacional.

El recorte cronológico de la colectiva se considera decisivo tanto en la historia de Latinoamérica como en la construcción del arte contemporáneo y en las transformaciones acerca de la representación simbólica y figurativa del cuerpo femenino. A lo largo de ese periodo, estas artistas pioneras partieron de la noción del cuerpo como un campo político y se embarcaron en investigaciones radicales y poéticas para desafiar las clasificaciones dominantes y los cánones del arte establecido. “Este nuevo enfoque ha instituido una investigación sobre el cuerpo como redescubrimiento del sujeto, algo que, más tarde, vendríamos a entender como un cambio radical en la iconografía del cuerpo”, cuentan las curadoras. Dichas investigaciones, según ellas, acabaron por favorecer la aparición de nuevas iconografías en los campos de la fotografía, de la pintura, de la performance, del video y del arte conceptual.

El enfoque de las artistas latinoamericanas fue una forma de enfrentar la densa atmósfera política y social de un periodo fuertemente marcado por el poder político (de los EUA) y por las atrocidades de la dictaduras apoyadas por aquel país (en Centroamérica y América del Sur), que reprimieron esos cuerpos, incluso los de las mujeres, resultando en trabajos que denunciaban la violencia social, cultural y política de la época. “Las vidas y las obras de esas artistas están imbricadas con las experiencias de la dictadura, del aprisionamiento, del exilio, tortura, violencia, censura y represión, pero también con la emergencia de una nueva sensibilidad”, añade Fajardo-Hill.

Para Giunta, temas como lo poético y lo político son explorados, en la exposición, “en autorretratos, en la relación entre cuerpo y paisaje, en el mapeo del cuerpo y sus inscripciones sociales, en las referencias al erotismo, al poder de las palabras y al cuerpo performático, la resistencia a la dominación, en los feminismos y en los lugares sociales”. Y complementa: “Estos temas cruzaron fronteras y surgieron en obras de artistas que venían trabajando en condiciones culturales muy distintas”. No es en vano que, la muestra se estructura en el espacio expositivo en torno a temas en lugar de categorías geográficas. La curadora de la Pinacoteca, Valéria Piccoli, destaca la importancia de la representatividad de las brasileñas dentro de la muestra: “además de los nombres que participaron de las exposiciones en el Hammer y en el Brooklyn Museum, asimismo vamos a incluir obras de Wilma Martins, Yolanda Freyre, Maria do Carmo Secco y Nelly Gutmacher en la presentación en São Paulo”, revela.

Latinoamérica conserva una fuerte historia de militancia feminista que –a excepción de México y algunos casos aislados en otros países en las décadas de 1970 y 1980 — no fue ampliamente reflejada en las artes. Mujeres radicales propone consolidar, internacionalmente, ese patrimonio estético creado por mujeres que partieron del propio cuerpo para aludir — de manera indirecta, encubierta o explícita –- a las distintas dimensiones de la existencia femenina. Para ello, las curadoras vienen realizando una intensa investigación, desde 2010, que incluye viajes, entrevistas, análisis de publicaciones en las bibliotecas de Getty Foundation, de la Universidad de Texas en Austin entre otras.

El argumento central de la exposición muestra que, aunque buena parte de esas artistas hayan sido figuras decisivas para la expansión y diversificación de la expresión artística en nuestro continente, aún no habían recibido el debido reconocimiento. “La exposición surgió de nuestra convicción compartida de que el amplio conjunto de obras producidas por artistas latinoamericanas y latinas ha sido marginado y sofocado por una historia del arte dominante, canónica y patriarcal”, definen las curadoras.  Según el director de la Pinacoteca, Jochen Volz, “fueron, principalmente, artistas mujeres las pioneras que experimentaron nuevas formas de expresión, como performance y video, entre otras. De esta suerte, la itinerancia de la muestra Mujeres radicales para Brasil es de gran relevancia para la investigación contemporánea artística y académica y también para el público en general”.

Este rico conjunto de trabajos, así como los archivos de investigación, recolectados para la concepción de la exposición, llegan finalmente al público paulista, por lo que contribuye a abrir nuevos caminos para  la investigación y la comprensión acerca de la historia latinoamericana. “El tema ahora forma parte de una dirección amplia y al mismo tiempo urgente. Mientras tanto, aún hay mucho trabajo por hacer y tenemos plena conciencia de que este es solo el comienzo”, finalizan las curadoras.

Mujeres radicales: arte latinoamericano, 1960-1985, es organizado por Hammer Museum, Los Ángeles, como parte de Pacific Standard Time: LA/LA, una iniciativa de Getty Foundation en aparcería con otras entidades del Sur de California y fue curada por las curadoras invitadas Cecilia Fajardo-Hill y Andrea Giunta. Su presentación en la Pinacoteca de São Paulo cuenta con el patrocinio del Banco Itaú, Itaú Carros, Oficina Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, el Banco BTG Pactual y Vicunha Têxtil, además del apoyo de las revistas Select, ArtNexus Claudia y Capricho. La exposición ha sido realizada gracias al apoyo de Getty Foundation. La mayor parte de los recursos de la muestra fueron proporcionados por Diane and Bruce Halle Foundation y Eugénio López Alonso. Apoyo generoso fue ofrecido por Vera R. Campbell Foundation, Marcy Carsey, Betty y Brack Duker, Susan Bay Nimoy, y Visionary Women

EXHIBITION CIRCLE
Por primera vez en su historia, la Pinacoteca concibe un Exhibition Circle — práctica bastante común en los EUA y en Europa para recaudar fondos — especialmente para dicha exposición. Para la ocasión, el museo ha invitado a 30 mujeres inspiradoras y pioneras en sus áreas de actuación para colaborar financieramente en la viabilización de Mujeres radicales. “Invitamos a mujeres que reflejen el espíritu de esa exposición y que, para nosotras, son fuente de admiración y merecen reconocimiento público. El grupo que llamamos cariñosamente de ´Mujeres Extraordinarias´ representa el compromiso y el pionerismo femenino en diversas áreas de la sociedad”, cuenta Paulo Vicelli, director de Relaciones Institucionales de la Pinacoteca. Integra la lista de homenajeadas: Adriana Cisneros, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, Catherine Petigás, Estrellita Brodsky, Luisa Strina, Fernanda Feitosa, Lygia da Veiga Pereira Carramaschi, Luiza Helena Trajano, entre otras.

CATÁLOGO
Mujeres radicales se complementarán con un catálogo que incluye las biografías de las más de 120 artistas y más de 200 imágenes de obras de la muestra, además de otras de referencia documental, ampliando el escenario de ese mapeo para más allá de la exposición. La publicación original es la primera en reunir una extensa investigación sobre el tema y su versión portuguesa editada por la Pinacoteca de São Paulo es la primera a hacer este contenido accesible a los lectores de Latinoamérica. A diferencia de la muestra, se organiza el catálogo por países acompañados de ensayos de Fajardo-Hill y Giunta, así como otros diez autores, como curadora en jefe del Hammer Museum Connie Butler y la guatemalteca Rosina Cazali.

ACCIÓN EDUCATIVA
Visitas educativas
A partir del día 25/08, domingos y festivos.
De las 10h30 a las 11h30 y de las 15h00 a las 16h00 – Pina Luz
No hace falta realizar inscripción previa. El visitante puede buscar por el educador en la recepción del museo. Grupo de hasta 20 personas.

Encuentro para la formación de profesores y lanzamiento del material de apoyo a la práctica pedagógica
El 01/09, de las 10h00 a las 13h00 – auditorio – Pina Luz
Inscripciones a partir del 20/08, por los teléfonos 3324-0943/0944.
50 plazas.

ARTISTAS PARTICIPANTES
Argentina
Maria Luisa Bemberg (1922–1995); Delia Cancela (1940); Graciela Carnevale (1942); Diana Dowek (1942); Graciela Gutiérrez Marx (1945); Narcisa Hirsch (Germany, 1928); Ana Kamien and Marilú Marini (1935 and 1954); Lea Lublin (Poland, 1929–1999); Liliana Maresca (1951–1994); Marta Minujín (1943); Marie Orensanz (1936;) Margarita Paksa (1933); Liliana Porter (1941); Dalila Puzzovio (1943); Marcia Schvartz (1955).

Brasil
Mara Alvares (1948); Claudia Andujar (Suíça, 1931); Martha Araújo (1943); Vera Chaves Barcellos (1938); Lygia Clark (1920–1988); Analívia Cordeiro (1954); Liliane Dardot (1946); Lenora de Barros (1953); Yolanda Freyre (1940); Iole de Freitas (1945); Anna Bella Geiger (1933); Carmela Gross (1946); Nelly Gutmacher (1941); Anna Maria Maiolino (Italy, 1942); Márcia X. (1959–2005); Wilma Martins (1934); Ana Vitória Mussi (1943); Lygia Pape (1927–2004); Letícia Parente (1930–1991); Wanda Pimentel (1943); Neide Sá (1940); Maria do Carmo Secco (1933); Regina Silveira (1939); Teresinha Soares (1927); Amelia Toledo (1926–2017); Celeida Tostes (1929–1995); Regina Vater (1943);

Chile
Gracia Barrios (1927); Sybil Brintrup and Magali Meneses (1954 and 1950); Roser Bru (España, 1923); Gloria Camiruaga (1941–2006); Luz Donoso (1921–2008); Diamela Eltit (1949); Paz Errázuriz (1944); Virginia Errázuriz (1941); Lotty Rosenfeld (1943); Janet Toro (1963); Eugenia Vargas Pereira (1949); Cecilia Vicuña (1948).

Colombia
Alicia Barney (1952); Delfina Bernal (1941); Feliza Bursztyn (1933–1982); María Teresa Cano (1960); Beatriz González (1938); Sonia Gutiérrez (1947); Karen Lamassonne (Estados Unidos, 1954); Sandra Llano-Mejía (1951); Clemencia Lucena (1945–1983); María Evelia Marmolejo (1958); Sara Modiano (1951–2010); Rosa Navarro (1955); Patricia Restrepo (1954); Nirma Zárate (1936–1999).

Costa Rica
Victoria Cabezas (Estados Unidos, 1950)

Cuba
Ana Mendieta (1948–1985); Marta María Pérez (1959); Zilia Sánchez (1928).

Estados Unidos
Judith F. Baca (1946); Barbara Carrasco (1955); Josely Carvalho (Brasil, 1942); Isabel Castro (México, 1954); Ester Hernández (1944); Yolanda López (1942); María Martínez-Cañas (Cuba, 1960); Marta Moreno Vega (1942); Sylvia Palacios Whitman (Chile, 1941); Sophie Rivera (1938); Sylvia Salazar Simpson (1939); Patssi Valdez (1951).

Guatemala
Margarita Azurdia (1931–1998)

México
Yolanda Andrade (1950); Maris Bustamante (1949); Ximena Cuevas (1963); Lourdes Grobet (1940); Silvia Gruner (1959); Kati Horna (Hungary, 1912–2000); Graciela Iturbide (1942); Ana Victoria Jiménez (1941); Magali Lara (1956); Mónica Mayer (1954); Sarah Minter (1953–2016); Polvo de Gallina Negra (activo 1983–93); Carla Rippey (Estados Unidos, 1950); Jesusa Rodríguez (1955); Pola Weiss (1947–1990); Maria Eugenia Chellet (1948).

Panamá
Sandra Eleta (1942)

Paraguay
Olga Blinder (1921–2008); Margarita Morselli (1952).

Perú
Teresa Burga (1935); Gloria Gómez-Sánchez (1921–2007); Victoria Santa Cruz (1922–2014).

Puerto Rico
Poli Marichal (1955); Frieda Medín (1949).

Uruguay
Nelbia Romero (1938–2015); Teresa Trujillo (1937).

Venezuela
Mercedes Elena González (1952); Margot Römer (1938–2005); Antonieta Sosa (Estados Unidos, 1940); Tecla Tofano (Italia, 1927–1995); Ani Villanueva (1954); Yeni y Nan (activo 1977–86).

SERVICIO
Mujeres radicales: arte latinoamericano, 1960-1985
Curaduría de Cecilia Fajardo-Hill y Andrea Giunta
Colaboración de Valéria Piccoli
Apertura: el 18 de agosto de 2018, sábado, a las 11h00
Visitación: del 18 de agosto al 19 de noviembre de 2018
De miércoles a lunes, de las 10h00 a las 17h30 – con permanencia hasta a las 18h00
Pinacoteca: Praça da Luz 2, São Paulo, SP
Entradas: R$ 6,00 (entrada); R$ 3,00 (media entrada para estudiantes con carnet de estudiante)
Menores de 10 años y mayores de 60 están exentos de pago.
A los sábados, la entrada de la Pina es libre para todos.
La Pina Estación es libre para todos los días.

Amigo de la Pina tiene acceso ilimitado, además de descuento en la tienda y en el café. Asimismo puede participar en visitas guiadas y otros eventos con el equipo de la Pinacoteca. Para saber más sobre el programa, acceda al enlace: http://pinacoteca.org.br/apoie/amigos-da-pina/

[1] Gentilicio que se refieren a los naturales del Estado de Minas Gerais en Brasil.

Fotos:

(banner menor) Sandra Eleta, Edita (la del plumero), Panamá (Edita [a do esplanador], Panamá), 1977, da série La servidumbre (A servidão), 1978-89. Cortesia da Galería Arteconsult S.A., Panama.

(banner maior) Martha Araújo, Hábito/Habitante (Habit/inhabitant), 1985, registro da performance, fotografia em preto e branco. Coleção da artista. Cortesia da Galeria Jaqueline Martins, São Paulo.

Pinacoteca

 

También podría gustarte