Cine ambiental

Festival Internacional de Filmes Ambientais em Niterói

Maratona Filmambiente começa no próximo dia 4 de abril em Niteroi, com as melhores e mais recentes realizações do cinema ambiental

A realização de um festival de cinema ambiental no Brasil nunca foi tão importante como agora. Crimes como os de Mariana e de Brumadinho, a ameaça de outras barragens se romperem, em Minas Gerais; os rios brasileiros que estão morrendo, e os alertas periódicos destinados às populações próximas desses locais; as enchentes urbanas sistemáticas, a criminosa liberação de agrotóxicos (muitos deles já proibidos em países europeus), as notícias de privatização de minas de urânio – seguindo o modelo africano onde trabalham crianças escravas contaminadas com o manuseio do perigoso material –, e o anúncio da possibilidade de instalação de hidroelétricas na Amazônia são eventos que retratam um país em pleno processo de agressão e de destruição do seu meio ambiente pela ação do homem e do atual governo.

E como a proteção ao meio ambiente é também a proteção de toda vida humana, mais ameaças se somam a esse cenário. O fim da demarcação das terras indígenas, os ataques à população LGBT e a grave questão dos refugiados – são temas dos filmes que compõem o festival.

A maratona começa no próximo dia 4 de abril em Niteroi, com as melhores e mais recentes realizações do cinema ambiental. O Filmambiente, criado em 2011, contará com 34 filmes – nove na Mostra competitiva e 25 curtas e médias metragens reunidos em quatro programas.

Virão produções do Reino Unido, da África do Sul, Canadá, Estados Unidos, França, Argentina, Turquia, Argélia, Índia, Irã e México além de filmes brasileiros.

Anotem: as exibições serão no Cine Arte UFF, em Icaraí, de 5 a 10 de abril, às 19h, e de 4 a 10 de abril no Reserva Cultural, no Gragoatá, às 21h.

As sessões são gratuitas e o Filmambiente terá um júri popular para escolher o vencedor da Mostra competitiva. Haverá debates após algumas exibições com a presença de diretores.

Na sua grande diversidade temática, os curtas e médias metragens apresentam uma potência de imagens, algumas devastadoras na sua realidade.

E para as crianças, haverá uma programação especial: filmes de animação, tradição no Filmambiente, que é uma excelente maneira de despertar jovens e crianças para questões ambientais porque ajudam a refletir sobre os rumos que escolhemos tomar, enquanto sociedade.

O filme que abre o festival é Astral, no Reserva Cultural, na noite de quarta-feira, 4 de abril próximo. Trata-se de uma produção espanhola que narra a história de um barco de luxo transformado em barco de resgate, e a luta da ONG espanhola Open Arms para salvar as vidas daqueles que se arriscam no Mediterrâneo fugindo das guerras – diga-se de passagem, provocadas por países ocidentais – e em busca de uma vida melhor na Europa. Com direção de Jordi Évole, o filme revela, com grande carga de emoção, um dos maiores dramas humanos da atualidade.

Programação e sinopses:

Dia 4 de abril, quinta-feira, às 21h

Astral (Astral) – Direção de Jordi Évole, 96 min, Espanha, 2016. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Dia 5 de abril, sexta-feira, às 19h

Amazonia, O despertar da Florestania. Direção de Christiane Torloni e Miguel Przewodowski, 111 min, Brasil,

2018. O filme aborda como o meio ambiente vem sendo tratado, através do depoimento de históricos e representantes de diferentes segmentos. Exibição seguida de debate com os diretores. Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí.

Dia 5 de abril, sexta-feira, às 21h

O Moinho (El Remolino). Direção de Laura Herrero, 75 min, México, 2016). Em El Remolino, anualmente afetada por grandes cheias, Pedro, um fazendeiro transexual, defende sua identidade e sonhos enquanto sua irmã luta para dar uma vida melhor à filha. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Dia 6 de abril, sábado, às 19h

O Jabuti e a Anta. Direção de Eliza Capai, 71 min, Brasil, 2016. Uma viagem até as gigantescas represas construídas nos rios Xingu, Tapajós e Ene, na floresta Amazônica, para entender por que reservatórios no Sudeste estão vazios. Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí.

Dia 6 de abril, sábado, às 21h

A Arca de Anote (Anote´s Ark). Direção de Matthieu Rytz, 77 min, Canadá, 2018. A nação Kiribati, um atol no Pacífico, pode desaparecer com o aumento do nível do mar devido à mudança climática. O presidente do Quiribati, Anote Tong, tenta encontrar uma maneira de proteger seu povo e sua cultura de 4.000 anos. Exibição seguida de debate com o diretor. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Dia 7 de abril, domingo, às 19h

Curtas em animação no Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9, Icaraí:

Aquário (Aquarium) – Direção de Diego L Yánez Guzman, 4,3 min, Argentina ,2016. Os impactos das intervenções humanas na vida dos oceanos e como estes ecossistemas sobrevivem a tantos ataques.

Água que Cai (When it Rains) – Direção de Nick Iannaco, 2,5 min, EUA, 2016. Uma gotinha de chuva está determinada a fazer a água chegar numa flor protegida da chuva.

Círculo Completo (Full Circle) – Direção de Tiffany Lin, 1,53 min, Canadá, 2015. O filme acompanha a jornada de uma sacola plástica, da beira da praia até o mar aberto.

Copo D’ Água (Cup of Water) – Direção de Manish Gupta, 2,47 min, Índia, 2017. No caminho para a escola, um menino aprende como às vezes é difícil ter acesso à água.

Konagxeka – O Dilúvio Maxakali ( The Maxakali flood) – Direção de Isael Maxakali e Charles Bicalho, 13 min, Brasil, 2016. Um filme indígena, feito pelos Maxakali, tribo localizada no município de Ladainha, em Minas Gerais. Falado em Maxakali, narra o mito do dilúvio, com ilustrações feitas por eles.

O caçador de Árvores Gigantes (The Hunter of Giant Trees) – Direção de Antonio Pereira, 11 min, Brasil, 2016. Um menino brincando no quintal de casa descobre um baú enterrado revelando um segredo e, com a ajuda de seu amigo – raposa devoradora de insetos – vai caçar as árvores gigantes, que ele acredita estarem presas no céu.

Primavera, verão, outono, inverno… e primavera (Spring, Summer, Autumn, Winter …. and Spring) – Direção de Hamza Uysal, 7,04 min, Turquia, 2018. A árvore solitária está prestes a perder as esperanças na guerra do homem contra a natureza.

Segredos do Rio Grande – 5,41 min, Brasil, 2018. Brisa é aventureira, Dudu é medroso. Os dois peixinhos decidem buscar tesouros e descobrir os segredos do Rio Grande, numa jornada cheia de encontros inesperados.

Socorro (Eau secours) – Direção de Herrygers Nagege, 3,12 min, França, 2017. A importância de economizar água.

Tartaruguinha ( Small turtles / Chiripajas) – Direção de Jaume Quiles e Olga Poliektova, 1,55 min, Espanha, 2016. Uma tartaruguinha enfrenta perigos para chegar ao mar e reunir-se com a família.

Viva a Água ( Save water) – Direção de Mustapha Benghernaout, 1 min, Algéria, 2016. A importância de usar água com sabedoria e sem desperdício.

Offhand – Direção de Nicolas de Oliveira, 1,36 min, França, 2017. As consequências das ações humanas sobre o meio ambiente e na vida dos outros animais que habitam o planeta.

Dia 7 de abril, domingo, às 21h

Ponto sem Volta (Point of no Return) – Direção de Noel Dockstader and Quinn Kanaly, 95 min, USA, 2017. O filme conta os bastidores do primeiro voo de volta ao mundo realizado com energia solar. Dois pilotos corajosos se alternam na luta contra as intempéries, sua própria equipe e até contra a lógica, para alcançar o impossível. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Dia 8 de abril, segunda-feira, às 19h

Baía Urbana – Direção de Ricardo Gomes, 70min, Brasil, 2017. A vida marinha na baia de Guanabara, com imagens inéditas de golfinhos, tartarugas, corais, esponjas e mais de 50 espécies de peixes que sobrevivem nestas águas poluídas. Haverá debate com o diretor ao final da sessão. Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí.

Dia 8 de abril, segunda-feira, às 21h

Seleção de curtas no Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Depois da Revolução Verde (After the Green Revolution) – Direção de Steve MacDonald, 8,15 min, África do Sul, 2016. Depois de milhares de fazendeiros cometerem suicídio na Índia, afogados em dívidas, com terras e água contaminadas, o conhecimento tradicional e a ciência finalmente se unem para desenvolver um melhor uso da agricultura orgânica.

Levante (Rise) – Direção de Michelle Mortimer (VICE), 44 min, EUA, 2017. O povo Krenak luta pela sobrevivência após o enorme derrame tóxico – provocado pelo rompimento da represa da Samarco – que contaminou sua água, terras e cultura.

Sonhos Mediterrâneos (Mediterranean Dream) – Direção de Misagh Bahraloloomian, 3,4 min, Irã, 2017. Enquanto vê na TV notícias sobre refugiados, uma mulher encontra um botão dentro de um salmão que está limpando. O peixe vivia no Mediterrâneo, e viu muitos refugiados afogarem-se.

O Mergulhador (El Buzo / The Diver) – Direção de Esteban Arrangoiz, 16 min, México, 2015. Julio César Cámara é o chefe dos mergulhadores do sistema de esgoto na cidade do México. Seu trabalho é reparar bombas e desalojar o lixo das calhas para manter a circulação das águas de esgoto.

Dia 9 de abril, terça-feira, às 19h

Rio Sagrado (Des)sacralizado (Holly (un)Holly River) – Direção de Peter McBride and Jake Norton, 60 min, USA, 2016). Uma viagem por um dos rios mais venerados e aviltados do mundo, o Ganges, que é ao mesmo tempo fonte de vida e inspiração, bem como morte, poluição e tragédia. Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí.

Dia 9 de abril, terça-feira, às 21h

Muito Além de Fordlândia – Direção de Marcos Colón, 72 min, USA, 2017. Da mal sucedida tentativa de Henry Ford de estabelecer na Amazônia uma plantação de borracha à transição para a crescente plantação de soja na região e seus reflexos nos homens e na preservação da floresta. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

Dia 10 de abril, quarta-feira, às 19h:

Exibição de curtas e médias metragens do Festival Filmambiente no Cine Arte UFF – R. Miguel de Frias, 9 – Icaraí:

 Exilia (Exile)– Direção de Renata Claus, 23,36 min, Brasil, 2015. Duas senhores da ilha de Tatuoca se visitam e comentam como estão sendo deslocadas pela subida das marés e das mudanças climáticas.

Esperas da água (Waiting Water) – Direção de Dêniston Diamantino, 1,35 min, Brasil, 2017. Uma poesia visual sobre a vital importância da água para os animais silvestres, os ciclos da água na natureza natureza e como ela dá vida a tudo.

Povo da Seca (People of Drought) – Direção de Lior Sperandeo, 3,04 min, França, 2016. Estatísticas mostram que água poluída causa mais mortes que as guerras. Hoje em dia, mesmo com todo o conhecimento disponível, milhões de pessoas continuam sem nenhum acesso à água potável. Esse fardo recai, principalmente, sobre mulheres e crianças que passam os dias viajando longas horas em busca de sua única opção: água contaminada. Isso afeta não só sua saúde, como também suas oportunidades de ter educação e uma profissão, perpetuando um círculo vicioso de pobreza.

Guerreiros da água (Water Warriors) – Direção de Michael Premo, 21,31 min, Canadá e USA, 2016. Resistindo contra a indústria de gás natural. Quando uma companhia de energia começa a procurar por gás natural em New Brunswick, Canadá, indígenas e brancos se unem para expulsar a empresa numa campanha para proteger sua água e estilos de vida.

O Complexo (The Complex) – Direção de Thiago Foresti, 26 min, Brasil, 2016. Construído sobre solo sagrado indígena, o complexo hidroelétrico Teles Pires resulta em impactos ambientais na bacia do Alto Tapajós, localizada nos estados do Pará e Mato Grosso. O filme revela os vícios de licenciamento, estudos ambientais e compensação das obras mais caras do Brasil.

Os fabricantes de chuva de Nganyi (The Rain makers of Nganyi) – Direção de Steve McDonald, min,

África do Sul, 2017. Como os fazedores de chuva de Nganyi, no Quênia, estão enfrentando as mudanças climáticas? E como isto está afetando suas vidas e seu ganha-pão.

Terraform (Terraform) – Direção de Sil Van Der Woerd e Jorik Dozy, 5,06 min, Reino Unido, 2017. A verdade sobre os sacrifícios e dificuldades que os mineiros de enxofre do Kawahljen, na Indonésia passam para sustentar suas famílias.

Dia 10 de abril, quarta-feira, às 21h

Refugiados do Desenvolvimento (Development Refugees, direção de Fabio Nascimento, 8 min30, Brasil, 2017) e Acabou o amor (Love is Over, de Mert Kaya, 48 min, Turquia, 2017). Refugiados do Desenvolvimento mostra o esquecimento das pessoas pelo progresso no Brasil; Acabou o amor mostra o que tiveram em comum os movimentos sociais de 2013 e 2015, no Brasil e na Turquia. As sessões serão seguidas de debate com o diretor de Acabou o Amor. Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos.

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