Moraes Moreira hizo levitar a los dioses del Carnaval

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Cantante brasileño Moraes Moreira fallece a la edad de 72 años

Moraes Moreira, importante músico, compositor y cantante brasileño, falleció a la edad de 72 años en su domicilio de la ciudad de Río de Janeiro, reportaron este lunes medios locales.

Su cuerpo sin vida fue hallado por sus familiares la mañana de este lunes. Hasta el momento se desconoce la causa de su deceso, mientras se reciben muestras de dolor de la comunidad musical brasileña con motivo de la partida física del célebre artista.

“Nos tomó por sorpresa. Todavía estamos recibiendo información sobre lo que sucedió. Parece que estaba durmiendo. No fue una muerte con sufrimiento, no fue un dolor. Al menos eso nos consuela un poco. Todo indica que fue un ataque cardíaco masivo mientras dormía», expresó Baby do Brasil quien acompañó a Moreira en el grupo Novos Baianos.

Por su parte el expresidente brasileño Luiz Inacio Lula da Silva también ofreció sus condolencias por la muerte de Moreira a través de la red social Twitter.

“Moraes Moreira fue un músico brillante, uno de los nombres más importantes de nuestra música popular, compositor de muchos clásicos como «Preta, Pretinha» y el mejor intérprete de uno de nuestros himnos no oficiales «Brasil Pandeiro», expresó Lula.

Moraes Moreira nació en 1947, en Ituaçu, Estado de Bahía, como Antônio Carlos Moraes Pires.

Aprendió a tocar el acordeón y la guitarra siendo un adolescente. Al mudarse a Salvador, conoció a Tom Zé, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor y Luiz Galvão, con quienes fundó el grupo Novos Baianos, donde permaneció desde 1969 hasta 1975.

Ese año lanzó su carrera en solitario, aunque se reunió con los Novos Bahianos en varias ocasiones. En total, lanzó más de 60 álbumes en toda su carrera.

Como compositor, tuvo la facultad de mezclar ritmos, desde rock y música clásica hasta frevo, baião y samba, y la calidad de sus producciones le reservó un espacio en la historia de la música brasileña.

Telesur


A praça e o poeta: o último Carnaval de Moraes Moreira

Por Victor Uchôa

«Lá onde está tua estátua / O nosso amor se completa / Dor e prazer tem de sobra / Poeta. A luz pela praça se espalha / E a sombra da mão se projeta / Dar e receber é tua obra / Poeta.»

Este é um trecho da canção Monumento Vivo, uma das tantas em que Moraes Moreira faz referência a um local específico de Salvador (e do Carnaval): a Praça Castro Alves.

Fincada no Centro Histórico da capital baiana, a estátua do poeta Castro Alves (1847-1871) repousa na «côncava praça», como Moraes também cantou na música Cidadão.

Pois foi bem ali, «aos pés do poeta», que o também poeta Moraes Moreira entrou para a História em 1975 como primeiro cantor de trio elétrico – uma invenção baiana – e, no dia 22 de fevereiro deste ano, realizou sua última apresentação de Carnaval.

O local não poderia ser mais adequado para o que, agora se sabe, era uma despedida. Nesta segunda-feira (13/04), Moraes foi encontrado morto em seu apartamento no Rio de Janeiro, vítima de infarto, de acordo com sua assessoria de imprensa. Ele tinha 72 anos.

‘O show mais energético’

«Eu tava lá. Aliás, todo ano, desde que me recordo por gente, sempre estive com Moraes em todas as vezes que ele tocou na Castro Alves. E esse show, por incrível que pareça, parecia uma despedida mesmo», afirma o jornalista e escritor Franciel Cruz.

Ele lembra que, diferentemente de apresentações anteriores, Moraes não tinha ao seu lado o filho Davi, com quem vinha dividindo o comando dos shows. Entretanto, na percepção de Franciel, aquela ausência fez com que o artista mostrasse mais vigor.

«Ele estava com a voz melhor do que nos últimos shows. Talvez tenha sido o show mais energético dele desde que a voz ficou fugidia. Como não havia Davi, ele teve que tirar força e voz num sei de onde para segurar a praça», diz.

Franciel conta que, com a notícia da morte de Moraes Moreira, um amigo seu afirmou que Moraes fora o principal inventor do Carnaval de Salvador, mais até do que Osmar Macedo e Dodô Nascimento, que criaram o trio elétrico em 1950. Poeticamente, Franciel discorda: «Moraes não inventou o Carnaval. Ele é o Carnaval».

De fato, Moraes Moreira assim definiu a si mesmo na música Eu sou o Carnaval, cantada em coro pelos foliões naquele último show da Praça Castro Alves. Coro que se repetiu em canções suas que, nas ruas da Bahia, são tidas como hinos, a exemplo de Chão da Praça (sempre a Castro Alves), Chame Gente, Vassourinha Elétrica e Pombo Correio.

«Foi uma energia massa esse show. Moraes na Castro Alves faz levitar os deuses do Carnaval», diz o cineasta Mateus Damasceno.

De antemão, ele nem tinha planos de curtir aquele sábado de Carnaval, mas foi chamado por amigos para acompanhar um trio elétrico que desfilaria à noite. Então, colocou uma condição: «Só vou se formos mais cedo pegar o pôr-do-sol na Castro Alves com Moraes Moreira».

«Abrir o Carnaval daquele jeito foi lindo. E as pessoas que fomos encontrando na praça tornaram aquele momento muito íntimo e particular, mesmo sendo no meio do Carnaval.»

O jornalista André Uzêda também estava lá e lembra-se de um Moraes «muito bem-humorado». «Era até comum ele dar esporro por alguma coisa no Carnaval, mas naquele dia ele levou tudo muito de boa. A praça não tava muito cheia, mas ele brincou muito com quem tava ali e se mostrou feliz por ter tanto jovem», conta.

O desfecho do show, no entanto, foi estranho, nas palavras de Uzêda. Ele diz que um trio elétrico precisou cruzar a Castro Alves e Moraes interrompeu sua apresentação, pedindo para o público abrir espaço.

«Nessa hora, eu fui pegar uma cerveja. Quando voltei, tinha acabado tudo. Acho que tinha estourado a hora e a produção pediu pra recolher. Foi um término do nada. Uma despedida sem despedida.»

Pelourinho

No dia anterior, 21 de fevereiro, Moraes Moreira fez seu penúltimo show de Carnaval, desta vez no Largo do Pelourinho. Ali, a voz já não exibia a mesma potência e limpidez do auge da carreira, o que não foi suficiente para desanimar o público.

«Na sexta-feira de Carnaval, ele parecia mais disposto que no show anterior, que eu vi no Pelourinho também, em janeiro. E por um momento me senti no melhor do Carnaval, com todos dançando, cantando, muitos fantasiados, inclusive eu. Pra mim, foi uma linda despedida. A música de Moraes Moreira me acompanha em todas as fases da minha vida, desde a infância, herança de meu pai, fã dos Novos Baianos», diz a jornalista Mara Rocha.

Naquele dia, ela tinha a seu lado a amiga Sintia Cardoso. Cientista social e professora, Sintia se diz orgulhosa por ter nomes como Moraes Moreira como representantes da cultura baiana e brasileira. «São artistas como ele que mantém viva a essência do Carnaval, da festa sem separação, sem bloco. Estou muito triste com essa notícia, mas Moraes é um clássico. E clássico é pra sempre».

Os blocos citados por Sintia sempre foram, inclusive, alvo de críticas de Moraes Moreira, que chegou a se afastar da folia de Salvador durante cerca de 20 anos, entre as décadas de 1990 e 2000, atribuindo sua decisão à discordância com o que, segundo ele, seria a lógica mercantilista que se espalhou pelo Carnaval.

Em meados da década de 2000, ele voltou à festa que ajudou a popularizar, puxando ao lado do filho Davi Moraes os chamados trios independentes, que desfilam sem cordas, para o folião «pipoca».

«Nossas canções resistiram a tudo e a todos, dando mostras de que vieram para ficar. Passada a euforia dos sucessos imediatos, elas ressurgem gloriosas, no gogó dos foliões, inteiras e renovadas pela juventude. Reforçam assim um conceito que tenho: um bom Carnaval se faz com passado, presente e futuro», disse Moraes em uma entrevista ao Jornal Correio, de Salvador, em 2017.

«Ali, no palco do Pelourinho, foi a última vez que vi e ouvi Moraes cantar. Antes disso, muita gente já vinha falando que ele estava sem voz, mas a voz estava lá, rouca e desgastada por décadas de cantoria, mas estava lá, cheia de histórias e história, plena de força e poesia», observa o produtor cultural Alan Lobo.

Ele define Moraes como «parte viva da história da música brasileira» e «motor criativo» de um dos grupos mais emblemáticos de nossa música, os Novos Baianos. «No Pelourinho, naquela noite, Moraes parecia cansado, a voz parecia cansada, mas o caso é que não sabemos perceber quando a voz de nossos mestres precisa calar pra ser reconhecida.»

Trio elétrico

Naquela sexta-feira de Carnaval, o show que antecedeu a apresentação de Moraes Moreira no Pelourinho foi do grupo Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, formado pelos quatro filhos de Osmar Macedo, um dos inventores do trio elétrico.

Integrante do grupo, o guitarrista Armadinho foi surpreendido pela morte inesperada de um parceiro que o acompanhou em tantos palcos e carnavais. «Acabo de perder um amigo-irmão. A gente brinca sempre que somos quatro irmãos do Trio Elétrico e Moraes é o quinto», disse, em depoimento emocionado enviado pela assessoria de imprensa à BBC.

«A história do trio elétrico está nas músicas de Moraes. E quando a gente só fazia som instrumental em cima do trio, ele surpreendeu e mostrou que dava pra cantar, mesmo com o som meio precário. Aquilo mudou a história, todo mundo foi atrás», comenta Armandinho.

«Ele me ligou sexta-feira (10), conversamos mais de uma hora. E eu sonhei com ele essa noite. No sonho, a gente tava saindo de um show juntos e parava pra tomar uma saideira, ele todo animado. Acho que o sonho foi isso: ele veio me visitar pra se despedir».

Para a cantora Daniela Mercury, a morte repentina de Moraes Moreira representa a partida de um «artista seminal, que traduziu como poucos a essência do que somos».

«Ele é uma referência para as músicas de trio elétrico, para frevos, sambas, para a MPB. Um compositor incrível, que fez muitas obras-primas, e ainda me deu de presente o Monumento Vivo, que eu gravei e todo mundo canta no Carnaval aquele refrão pedindo paz», observa Daniela, citando a canção que abre esta reportagem.

«Toda vez que passo pela estátua de Castro Alves eu só lembro dele. É muito triste essa morte no meio dessa pandemia, em que estamos todos preocupados com o Brasil e o mundo. Nem poderemos homenageá-lo da forma que ele merece», disse ela à BBC News Brasil.

Justamente para evitar aglomeração, a família de Moraes Moreira não divulgou informações sobre o sepultamento.

Também lamentando o impedimento da homenagem causado pela pandemia do novo coronavírus, o músico e produtor José Enrique Iglesias deixa no ar uma sugestão.

«Num conto que algum escritor ainda vai escrever, Moraes poderia ser cremado e, no próximo Carnaval, fazemos uma celebração na quarta-feira de cinzas, em plena Praça Castro Alves. É muito triste isso. Moraes merece um Carnaval inteiro de despedidas».

Trajetória

Nascido na cidade baiana de Ituaçu, Antônio Carlos Moreira Pires, o Moraes Moreira, iniciou a carreira tocando sanfona. Já morando em Salvador, juntou-se a Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão para formar os Novos Baianos, integrando a banda entre 1969 e 1975.

Ao lado de Luiz Galvão, compôs boa parte das canções dos Novos Baianos, incluindo clássicos como Preta Pretinha e Mistério do Planeta, do icônico álbum Acabou Chorare, de 1972.

Em 1975, Moraes deu início a uma vitoriosa carreira solo, lançando mais de 20 discos em que exibe sua versatilidade de compositor, mesclando influências que vão do samba ao baião, passando por ijexás.

Em 2016, reencontrou os parceiros dos Novos Baianos para uma turnê comemorativa que esgotou ingressos por todo o país.

Além dos discos, Moraes lançou os livros Sonhos Elétricos, Poeta não tem idade e A História dos Novos Baianos e Outros Versos, em que narra, por meio da poesia, a trajetória do grupo.

Sua morte deixa vaga ainda a cadeira de número 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

BBC Brasil


Discos para descobrir em casa – ‘Moraes Moreira’, Moraes Moreira, 1981

Por Mauro Ferreira

♪ Em 1981, Gal Costa liderou as paradas do Brasil com Festa do interior, marcha-frevo em clima de quadrilha junina que disparou feito rojão para o topo das playlists. A música era mais um sucesso do cancioneiro festivo do compositor baiano Moraes Moreira (1947 – 2020) – no caso, em parceria com o poeta Abel Silva, autor da letra.

Curiosamente, Moraes Moreira atravessou o ano de 1981 sem um hit massivo como o que fornecera para cantoras como Gal. O álbum lançado pelo eternamente novo baiano naquele ano de 1981, intitulado Moraes Moreira, seguiu a linha do anterior Bazar brasileiro (1980).

Produzido pelo próprio artista para a gravadora Ariola (então recém-chegada ao Brasil), sob a direção de Marco Mazzola, o álbum Moraes Moreira foi gravado entre agosto e setembro daquele ano de 1981 e apresentou dez músicas autorais.

Uma delas, Vida vida (Moraes Moreira, Zeca Barreto e Guilherme Maia), foi gravada simultaneamente por Ney Matogrosso (em tom mais vibrante), em álbum também feito com Mazzola para a Ariola, e fez sucesso na voz de Ney. Ambas as gravações foram formatadas na linha tecnopop que, no disco de Moraes, também embalou músicas como Bateu no paladar (Moraes Moreira, Zeca Barreto e Fausto Nilo).

Como toda a discografia solo do cantor baiano na década de 1980, o álbum Moraes Moreira merece ser descoberto e ganhar edição digital decente (o disco pode ser ouvido somente no YouTube). Pode não ter resultado no melhor ou mais coeso disco do artista, como sinalizou a canção Nossa voz (Moraes Moreira, Toni Costa, Zeca Barreto e Guilherme Maia), mas exemplificou bem a efervescência rítmica tropicalista que pautou a obra fonográfica desse cantor que iniciara carreira solo em 1975, um ano após deixar o grupo Novos Baianos.

No bazar brasileiro do álbum de 1981, o cantor e compositor ofereceu Paxorô (Moraes Moreira e Charles Negrita) – ijexá cantado em feitio de oração, em particular dialeto africano – e celebrou o trio elétrico Dodô e Osmar com a participação do trio, à época já comandado por Osmar Macedo (1923 – 1997) com Armandinho, já que Adolfo Nascimento (1920 – 1978), o Dodô, morrera há três anos.

A propósito, o título da elétrica faixa Dodô no céu Osmar na terra (Passo doble Carnaval) (Moares Moreira, Osmar Macedo e Solon Melo) aludia à saída de cena do pioneiro artista que criara o trio elétrico no Carnaval de 1950. A faixa simbolizou a gratidão de Moraes por ter sido o primeiro cantor a soltar a voz em cima de trio elétrico, em 1976, a convite de Dodô & Osmar.

Com marcha-frevo baiana moldada para os trios e para a folia do verão com o idioma da juventude na época, As quatro curtições do ano (Moraes Moreira), o álbum reverberou a baianidade nagô de Moraes Moreira no pulso da veia pop que saltava na música brasileira no alvorecer na década de 1980. Com o também novo baiano Pepeu Gomes, parceiro de outros Carnavais, Moraes compôs Axé do Gandhy, saudação ao bloco de afoxé Filhos de Gandhy.

Segunda das três parcerias de Moraes com o poeta baiano Waly Salomão (1943 – 2003), A lenda de São João tentou acender a fogueira, mas sem a chama de outros hits de Moraes na seara junina. Já o samba A terra é boa se tornou uma das composições mais obscuras da obra de Moraes com outro poeta baiano, Luiz Galvão, letrista dos maiores sucessos do repertório do grupo Novos Baianos, no qual Moraes tinha sido revelado em 1969.

Parceria de Moraes com Aroldo Macedo, irmão de Armadinho, Mulher e cidade Marília sobressaiu no repertório inteiramente autoral com beats desacelerados na forma de samba-choro-canção de clima seresteiro.

Nunca editado em CD na era áurea do formato, o álbum Moraes Moreira faz parte do legado inestimável deixado por esse artista que saiu de cena na madrugada de segunda-feira, 13 de abril, vítima de infarto.

Celebrado pela revolução pop feita m 1972 com a trupe dos Novos Baianos, Moraes Moreira nunca perdeu o pique em discografia solo que, com exceções dos já reeditados álbuns individuais da década de 1970, caiu injustamente no esquecimento quando o Brasil começou a descer a ladeira.

Globo

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