Sobinfluência

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Grupo cria editora de esquerda para difundir pensamento crítico

Por Alexandre Putti

A venda de livros no País, após um período de alta, voltou a cair a partir de fevereiro deste ano. De acordo com o Painel do Varejo de Livros no Brasil, feito pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Nielsen Bookscan, desde março há queda na comercialização de obras físicas e digitais.

Não bastasse a crise, o governo de Jair Bolsonaro sugeriu ao Congresso taxar os livros. A primeira parte da reforma tributária, proposta em agosto pelo Ministério da Economia, quer acabar com um benefício que reduz o custo na produção de livros. Atualmente, existe uma lei que isenta o mercado de livros de pagar PIS e Cofins.

É neste cenário que um grupo de amigos resolveu criar a sobinfluencia, uma editora  de esquerda que se classifica como “incompatível com a falsificação da potência revolucionária, o oportunismo e a imprudência da ordem burguesa. Fiel a si mesma e à revolução proletária, a arte opera na organização do novo mundo que vem”.

O objetivo, dizem os fundadores Rodrigo Corrêa, Fabiana Gibim, Gustavo Racy e Alex Peguinelli, é a divulgação do pensamento crítico no Brasil.

“Já havia afinidade política orgânica em nosso pensamento e o desejo pelo mesmo sentido de vida. A sobinfluencia procura se formar como uma editora e como um instrumento de conscientização política. Nossa intenção nunca foi publicar por publicar, mas trabalhar a forma e conteúdo para conseguir chegar até a população, às trabalhadoras e trabalhadores e fazer com que os livros que optamos por editar não sejam apenas um novo produto para o mercado, mas sim uma maneira de se construir materialmente uma transformação coletiva”, conta Alex em conversa com CartaCapital..

Em maio, quando a editora foi inaugurada, a queda nas vendas no mercado editorial no País foi de mais de 33%, quando comparado com o mesmo período de 2019. Nada que desanimasse o quarteto.

Desde então, a editora lançou dois livros e realiza, atualmente, uma campanha coletiva para a publicação de mais um, os 16 ensaios de Walter Benjamin, traduzidos pela primeira vez para a língua portuguesa.

“No momento, dentro da editora, nós é que fazemos de tudo, desde a curadoria dos textos, tradução, preparação, revisão, diagramação, divulgação, até a parte logística, de entrega do material para as pessoas que nos leem. Com isso, tentamos colocar em prática um princípio que nos é muito caro: a autonomia”, conta Alex.

A editora ainda busca ampliar seu espaço de criação também resgatando pôsteres – pensados e criados pelos próprios editores -, que acompanham os livros, resgatando a ideia germinal de cartazes de propaganda revolucionária, tão importantes para a formação da consciência trabalhadora ao longo de suas lutas.

Atualmente, eles contam com um blog para textos de autores independentes e planejam a criação de um podcast. “O livro não é um objeto individual, mas sim coletivo. A editora não se encerra na editora, ela será a base para outros projetos de propagação de pensamento crítico”, conta Alex.

“Entendemos enquanto editora que, embora inseridos no mercado, precisamos nos esforçar para escapar pela tangente da lógica de dominação do capital sobre o trabalho, por isso o processo de curadoria de nossas publicações é tão importante, é por meio dele que conseguimos dialogar, de maneira dialética, com o momento atua”, resume Alex.

Conheça mais sobre a editora:

 

Carta Capital

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