Brasil | La mayor obra de arte indígena del mundo se presentó en Belo Horizonte

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Em BH, festival apresenta a maior obra de arte indígena contemporânea do mundo

Por Leonardo Miazzo

Chegou ao fim no último domingo 4 a 5ª edição do Festival Circuito Urbano de Arte (Cura), o maior do gênero em Minas Gerais. São 18 obras de arte pintadas em fachadas e empenas de edifícios de Belo Horizonte – a maior coleção de arte mural em grande escala já produzida por um festival nacional, destacam os organizadores.

Uma das artistas envolvidas na realização do evento é Daiara Tukano, responsável por uma pintura de 48 metros de altura no Edifício Levy, na região central de Belo Horizonte. “Essa imagem representa uma grande mãe, a Mãe das Matas, a Mãe Floresta, a Mãe Selva segurando em seu colo um Rio Menino. Então, essa grande mãe tem no seu corpo algumas pinturas dos povos de Minas Gerais: tem no rosto uma pintura Krenak, no braço uma pintura Xakriabá, um cinto Pataxó. Foi uma maneira de homenagear os parentes aqui de Minas Gerais que têm uma história de resistência”, afirmou Tukano em contato com a reportagem de CartaCapital.

No festival, Diego Mouro (de São Bernardo do Campo/SP), Lídia Viber (de Belo Horizonte) e Robinho Santana (de Diadema/SP) pintaram as empenas dos edifícios Almeida, Cartacho e Itamaraty.

“Não caiu a ficha. Na verdade, começou a cair. No outro dia eu chorei, fiquei emocionada. Eu trabalho em pequenos formatos. Fazer arte é algo que pede material, pede investimento, e às vezes a gente fica limitada no tamanho, por causa do acesso às ferramentas, aos materiais. Quando me convidam para pintar uma parede, eu sempre aceito. Já tive oportunidade de fazer outros murais grandes, com o Jaider Esbell, com o Denilson Baniwa. Com o Jaider a gente fez um muro de uma escola na Suíça; com o Baniwa a gente fez um muro num centro cultural na França. E, agora, pintar a empena de um prédio em Belo Horizonte nesse Circuito de Arte Urbana, que é o Festival Cura, aqui em BH, eu aceitei na hora”, revelou Tukano.

Jaider Esbell também marcou presença no evento. Ele é o responsável por uma instalação que apresenta criaturas infláveis gigantes “abraçando” o viaduto Santa Tereza, patrimônio tombado da capital mineira que, pela primeira vez desde sua inauguração, em 1928, teve sua imagem transformada. Baniwa, por sua vez, produziu bandeiras gigantes que foram colocadas no antigo prédio da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os desafios

“Ficar pendurado lá, a 50 metros de altura, no sol de 11h, meio dia, balançando… É tudo muito seguro, fizemos um curso, a produção deu toda a segurança possível. Teve técnico de segurança ao nosso lado. Mas sempre tem essa coisa de enfrentar o medo, uma dinâmica mental de sobrevivência que a gente tem”, detalha Daiara Tukano.

E há mais uma curiosidade sobre a gigantesca obra. “No início alguém comentou que seria a maior pintura indígena que existe. Eu sei que existem obras grandes, mas não tinha me tocado de que não tinha nenhuma que fosse dessa dimensão. A pintura que eu fiz aqui tem 48 metros de altura e 28 metros de largura, em um dos lados de um prédio de 16 andares. Pensando por esse lado, é a maior obra de arte indígena contemporânea do mundo”, celebra Tukano.

Daiara, no entanto, faz questão de deixar um alerta, para além da apreciação da obra de arte. “No final da tarde dava pra ver fuligem caindo, porque aqui em volta de BH o cerrado também está em chamas. Eu conheci o Pantanal pessoalmente. Meu coração tem ficado abalado ao visualizar o impacto do fogo, dessa destruição. Então é um desenho que vem muito de um sentimento de que nós precisamos, mais do que nunca, deixar a Terra respirar, deixar a natureza brotar”.


(Redes sociais/Daiara Tukano)

Carta Capital

 

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